sexta-feira, 3 de julho de 2020


Assis, 02 


             Tempos Modernos (1936) - Charlie Chaplin (1889 - 1977) Fonte: Wikipédia

Assis, 02 de julho de 2020.

Queridos alunos.

Espero que essa carta chegue a todos encontrando-os com muita saúde e disposição, para conduzir nossas responsabilidades da melhor maneira possível. Vocês estão bem? Tomando os cuidados necessários com a saúde, a família e a comunidade? Qualquer coisa já sabem... Tamo junto!

Prometi a vocês que o tema, dessa e das próximas cartas, seria a questão do amor. Contudo, também havia advertido, que refletiria sobre algumas outras questões caso fosse preciso. Então é isso! Achei conveniente debater uma outra questão tão importante quanto a que vínhamos explorando. Hoje vamos falar de tecnologia.

Alguém pode estar questionando... mas professor, por que o senhor resolveu falar sobre tecnologia? Essa decisão partiu de um problema que estamos enfrentando nas nossas relações digitais que se intensificaram nos últimos meses. A comunicação via Whatsapp.

Na última semana, como bem perceberam, vocês foram impedidos de publicar comentários nos grupos digitais das salas que pertencem. Essa foi uma decisão, diga-se de passagem provisoriamente acertada, coletiva adotada pelos professores e pela direção da escola por meio de uma reunião realizada na internet.

Essa postura da escola se justificou pelo fato de alguns incidentes ocorridos em alguns grupos. Eles foram invadidos com postagens sem sentidos educacionais. Não sabemos quem foi ou até se os invasores sejam ou não alunos da escola. Para nós, filósofos do Léa Rosa, tanto faz quem tenha feito isso. Não estamos aqui para julgar, mas para filosofar.

Diante dessa situação, resolvi fazer um breve relato sobre a história do desenvolvimento tecnológico, com uma reflexão sobre o uso dos recursos digitais. Acredito que isso pode ter importância para toda a comunidade escolar: estudantes, professores e gestores (direção).

Há um estudioso, o economista e engenheiro chamado Klaus Schwab, que vem palestrando sobre a tecnologia nas últimas décadas. Esse cidadão foi quem montou e preside o Fórum Econômico Mundial, que acontece todo começo de ano na cidade de Davos na Suíça. Ele reúne presidentes, empresários e jornalistas do mundo todo. Esse senhor é um alemão filho de uma família de industriais.

Como preparação para o encontro do Fórum de 2016, cujo tema era “Para dominar a Quarta Revolução Industrial”, Schwab escreveu um livro chamado “A Quarta Revolução Industrial”. Nesse livro, o autor faz algumas afirmações muito interessantes.

Nesse momento, solicitando a ajuda dos professores de História, mostro para vocês a visão histórica que Schwab apresentou. Ele identifica como a Primeira Revolução Industrial a que aconteceu na Inglaterra, no ano de 1760, que implementou o uso da máquina a vapor e do carvão mineral nas indústrias de tecidos, na indústria têxtil.

A Segunda Revolução Industrial é colocada como a que ocorreu na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, em 1870, que inovou com o uso da eletricidade e a linha de montagem na produção das grandes indústrias. Já a Terceira Revolução Industrial se realiza em escala mundial, datada entre os anos 1960 e 1970, com a prática de tecnologias digitais e internet para a produção industrial e a comunicação rápida que esses recursos possibilitam.

A Quarta Revolução Industrial, também dada em escala mundial, se inicia e está em andamento desde a virada do milênio (anos 2000). Suas características são um ambiente com internet mais rápida e a criação de máquinas inteligentes, ou seja, que são capazes de tomarem decisões sozinhas. Os famosos robôs.

Dessa forma, a indústria não precisa mais de empregados para manipular as máquinas. Os carros e o transporte em geral não seriam mais dirigidos por motoristas humanos, mas por programas e aplicativos digitais. Enfim, está em andamento uma grande mudança em nossa sociedade.

Isso desperta os mais variados debates sociais. Quais seriam as profissões do futuro/presente? E o desemprego? Uma consequência geral de toda Revolução Industrial é o desemprego em massa, historicamente, isso também aconteceu nas outras Revoluções.

Contudo, meus queridos, o desemprego não deve ser vinculado com o desenvolvimento tecnológico. Devemos sempre nos empenhar que a sociedade fique o mais automatizada produtivamente possível. O desemprego está ligado decisivamente, também historicamente, pelas formas políticas como as sociedades se organizam.

Agora, pensemos juntos, se formos localizar o Brasil nessas mudanças tecnológicas, nós estamos ainda nos anos 1970! Olhem só! Cinquenta anos atrasados! Embora já tenhamos indústrias com máquinas controladas por robôs, o que está popularizado é apenas a comunicação, em especial pela internet e via Whatsapp.

E ainda mais! Nessa situação toda, em que deveríamos nos preocupar em gerar politicamente mais empregos e robotizar nossos trabalhos, temos que nos preocupar com o uso indevido da pouca tecnologia que temos? Do Whatsapp? Se invadimos ou não um grupo de uma classe de uma escola em um bairro periférico? Que tal usarmos nossas energias, nosso tempo e nosso conhecimento que temos para, em vez de invadir um grupo, fazermos nossos próprios aplicativos? Nossos próprios games? Temos condições totais para isso.

E vocês o que pensam? Foram quatro Revoluções Industriais mesmo? Ou elas fazem parte de uma única Revolução Industrial em andamento? Estariam os grandes empresários do mundo preocupados de verdade com a popularização tecnológica? Ou não? E o que é melhor: nos unirmos por mais empregos, saúde e desenvolvimentos tecnológicos ou ficar com “gracinha” no Whatsapp?

Saudações Filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio do texto disponível em:

https://drive.google.com/file/d/19XRrXAmuQwoph3r_bP0_zRgpqeiVMIi_/view?usp=sharing


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