Assis,
02
Assis,
02 de julho de 2020.
Queridos
alunos.
Espero
que essa carta chegue a todos encontrando-os com muita saúde e disposição, para
conduzir nossas responsabilidades da melhor maneira possível. Vocês estão bem?
Tomando os cuidados necessários com a saúde, a família e a comunidade? Qualquer
coisa já sabem... Tamo junto!
Prometi
a vocês que o tema, dessa e das próximas cartas, seria a questão do amor.
Contudo, também havia advertido, que refletiria sobre algumas outras questões
caso fosse preciso. Então é isso! Achei conveniente debater uma outra questão
tão importante quanto a que vínhamos explorando. Hoje vamos falar de
tecnologia.
Alguém
pode estar questionando... mas professor, por que o senhor resolveu falar sobre
tecnologia? Essa decisão partiu de um problema que estamos enfrentando nas
nossas relações digitais que se intensificaram nos últimos meses. A comunicação
via Whatsapp.
Na
última semana, como bem perceberam, vocês foram impedidos de publicar comentários
nos grupos digitais das salas que pertencem. Essa foi uma decisão, diga-se de
passagem provisoriamente acertada, coletiva
adotada pelos professores e pela direção da escola por meio de uma reunião
realizada na internet.
Essa
postura da escola se justificou pelo fato de alguns incidentes ocorridos em
alguns grupos. Eles foram invadidos com postagens sem sentidos educacionais. Não
sabemos quem foi ou até se os invasores sejam ou não alunos da escola. Para
nós, filósofos do Léa Rosa, tanto faz quem tenha feito isso. Não estamos aqui
para julgar, mas para filosofar.
Diante
dessa situação, resolvi fazer um breve relato sobre a história do
desenvolvimento tecnológico, com uma reflexão sobre o uso dos recursos
digitais. Acredito que isso pode ter importância para toda a comunidade
escolar: estudantes, professores e gestores (direção).
Há
um estudioso, o economista e engenheiro chamado Klaus Schwab, que vem
palestrando sobre a tecnologia nas últimas décadas. Esse cidadão foi quem
montou e preside o Fórum Econômico Mundial, que acontece todo começo de ano na
cidade de Davos na Suíça. Ele reúne presidentes, empresários e jornalistas do
mundo todo. Esse senhor é um alemão filho de uma família de industriais.
Como
preparação para o encontro do Fórum de 2016, cujo tema era “Para dominar a
Quarta Revolução Industrial”, Schwab escreveu um livro chamado “A Quarta
Revolução Industrial”. Nesse livro, o autor faz algumas afirmações muito
interessantes.
Nesse
momento, solicitando a ajuda dos professores de História, mostro para vocês a
visão histórica que Schwab apresentou. Ele identifica como a Primeira Revolução
Industrial a que aconteceu na Inglaterra, no ano de 1760, que implementou o uso
da máquina a vapor e do carvão mineral nas indústrias de tecidos, na indústria
têxtil.
A
Segunda Revolução Industrial é colocada como a que ocorreu na Europa, nos
Estados Unidos e no Japão, em 1870, que inovou com o uso da eletricidade e a
linha de montagem na produção das grandes indústrias. Já a Terceira Revolução
Industrial se realiza em escala mundial, datada entre os anos 1960 e 1970, com
a prática de tecnologias digitais e internet para a produção industrial e a
comunicação rápida que esses recursos possibilitam.
A
Quarta Revolução Industrial, também dada em escala mundial, se inicia e está em
andamento desde a virada do milênio (anos 2000). Suas características são um
ambiente com internet mais rápida e a criação de máquinas inteligentes, ou
seja, que são capazes de tomarem decisões sozinhas. Os famosos robôs.
Dessa
forma, a indústria não precisa mais de empregados para manipular as máquinas.
Os carros e o transporte em geral não seriam mais dirigidos por motoristas
humanos, mas por programas e aplicativos digitais. Enfim, está em andamento uma
grande mudança em nossa sociedade.
Isso
desperta os mais variados debates sociais. Quais seriam as profissões do
futuro/presente? E o desemprego? Uma consequência geral de toda Revolução
Industrial é o desemprego em massa, historicamente, isso também aconteceu nas
outras Revoluções.
Contudo,
meus queridos, o desemprego não deve ser vinculado com o desenvolvimento
tecnológico. Devemos sempre nos empenhar que a sociedade fique o mais
automatizada produtivamente possível. O desemprego está ligado decisivamente,
também historicamente, pelas formas políticas como as sociedades se organizam.
Agora,
pensemos juntos, se formos localizar o Brasil nessas mudanças tecnológicas, nós
estamos ainda nos anos 1970! Olhem só! Cinquenta anos atrasados! Embora já
tenhamos indústrias com máquinas controladas por robôs, o que está popularizado
é apenas a comunicação, em especial pela internet e via Whatsapp.
E
ainda mais! Nessa situação toda, em que deveríamos nos preocupar em gerar
politicamente mais empregos e robotizar nossos trabalhos, temos que nos
preocupar com o uso indevido da pouca tecnologia que temos? Do Whatsapp? Se invadimos ou não um grupo
de uma classe de uma escola em um bairro periférico? Que tal usarmos nossas
energias, nosso tempo e nosso conhecimento que temos para, em vez de invadir um
grupo, fazermos nossos próprios aplicativos? Nossos próprios games? Temos condições totais para isso.
E
vocês o que pensam? Foram quatro Revoluções Industriais mesmo? Ou elas fazem
parte de uma única Revolução Industrial em andamento? Estariam os grandes
empresários do mundo preocupados de verdade com a popularização tecnológica? Ou
não? E o que é melhor: nos unirmos por mais empregos, saúde e desenvolvimentos
tecnológicos ou ficar com “gracinha” no Whatsapp?
Saudações
Filosóficas.
Prof.
Ulisses.
Áudio do texto disponível em:
https://drive.google.com/file/d/19XRrXAmuQwoph3r_bP0_zRgpqeiVMIi_/view?usp=sharing

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