Assis,
23 de julho de 2020.
Queridos
alunos
Passamos por mais uma semana sem
aulas presenciais. Essa realidade, decorrente da pandemia de COVID-19, acredito
que deva ainda continuar por tempo indeterminado. Enquanto isso, vamos nos
comunicando por aqui mesmo sem maiores expectativas de retorno.
E vocês estão bem? Atribulados com
as atividades de final de bimestre? Ou conseguido levar na boa? Espero que
estejam focados em cuidados com a saúde que, pelo andar da carruagem, serão as
práticas eficazes que ainda permanecerão por algum tempo...
Nesses dias, vi uma notícia que
falava sobre o aumento de casos de depressão e de ansiedade durante a pandemia.
O Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em um
estudo atual, detectou o aumento de doenças como a ansiedade e a depressão
durante a pandemia. As pessoas que mais adoeceram não foram as que conseguiram
ficar isoladas em suas casas, mas as que tinham que sair para trabalhar. O medo
de pegar o COVID-19 foi a grande causa que gerou os adoecimentos.
Na posição de filósofos,
comprometidos com as pessoas mais humildes e trabalhadoras, temos que localizar
essas informações dentro da discussão filosófica. Um debate filosófico sério
busca, primeiramente, as causas sociais, para depois entender as causas ideais
com o objetivo de estabelecer resultados satisfatórios.
Nesses dias difíceis de pandemia,
toda a sociedade tem medo de sair de casa, e na grande maioria das vezes só sai
por necessidade mesmo. Estamos socialmente inseguros. Vemos autoridades
públicas, contaminadas por essa maldita gripe, saindo para o contato com a
população sem nem a utilização de uma máscara.
Por outro lado, os casos de
depressão e ansiedade já vinham aumentando muito antes da pandemia. Procuraram
a causa desse crescimento na vida moderna e atribulada das grandes e médias
cidades. Perceberam que esse problema também estava se agravando nas pequenas
cidades, ou seja, em locais em que o ritmo social é muito lento. Logo, não se
trata de um problema que se explica somente pela vida acelerada.
Muitos filósofos afirmam que um dos
grandes desejos da Filosofia, se não o maior, é a busca da felicidade. Dentre
eles, um destaque honroso para Aristóteles, que nesse ponto específico merece a
nossa admiração. Ora bolas! As pessoas estão mais infelizes tanto nas capitais
como no interior. Como adotar práticas e filosofias que tornem as pessoas mais
felizes?
O que seria felicidade? E tristeza? Vou
partir de uma afirmação, que pode e deve ser muito questionada, para continuar
pensando com vocês. A felicidade, e a tristeza, são estados emocionais que se
originam do ambiente social em que o ser humano vive e produz a sua
sobrevivência.
Assim, podemos entender que nossas alegrias e
tristezas vem de toda uma realidade que vivemos e se manifestam em nossos
pensamentos. Em nosso cérebro. Ele libera algumas substâncias que nos fazem
sentir bem, quando não temos elas, sua ausência nos desperta tristeza.
Para complicar mais ainda, os
cientistas descobriram a pouco tempo que nós temos um segundo cérebro. Que
coisa, não? Se lidar com um cérebro é muito difícil... imaginem com dois! Onde
fica em nosso corpo esse “segundo cérebro”?
Ele é o intestino. Alguém pode se
espantar e perguntar: professor, quer dizer que nós pensamos com a barriga? Seria
então o “seo” Barriga, personagem do seriado Chaves, um gênio? Enfim... Vocês
sabiam que nosso intestino tem neurônios? Por isso as pessoas que, infelizmente
sofrem algum acidente e ficam paralisadas do pescoço pra baixo, mantém o
funcionamento do intestino. A única coisa nelas que funciona na parte de baixo
é o intestino.
O nosso intestino, ao digerir os
alimentos que comemos, produz substâncias que o cérebro distribui pelo corpo.
Vou colocar como exemplo duas delas: a dopamina,
que nos faz ter a sensação de prazer e felicidade, e a serotonina, que nos ajuda a ter um sono de qualidade e também no
humor e felicidade. Prestem atenção! Metade de nossa dopamina vem da alimentação,
no caso da serotonina, cerca de 90% dela vem do que costumamos comer.
Para o intestino produzir na
digestão quantidades boas dessas substâncias, por sua natureza, ele prefere que
nossa alimentação seja natural. Frutas, legumes, castanhas, carnes e verduras.
Sabemos que as plantações são cheias de adubos e agrotóxicos que não deixam
mais esses produtos tão naturais quanto deveriam ser. As indústrias fazem isso
visando ex-clu-si-va-men-te o lucro,
acima de tudo, daquelas que produzem esses venenos para as lavouras.
Então a felicidade vem da barriga? E
a tristeza? Seria da quantidade de química que comemos e não deixamos nosso
intestino trabalhar direito? É possível produzir alimentos naturais sem o uso
de agrotóxicos? Como cultivar produtos naturais em grande escala sem o uso de
agrotóxicos?
Saudações
filosóficas.
Prof.
Ulisses
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1YXOK8qLdlOi_i8qOy7mnaxPDr4lzug-8/view?usp=sharing

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