sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Assis, 20 de novembro de 2020.

                                Título: A queda do Coelho Branco. Fonte: wikipédia.


Assis, 19 de novembro de 2020.

Queridos alunos.

            Tudo bem com vocês? Como passaram os últimos dias? Estão trabalhando? Cuidado, hein? Aqui a primeira e a segunda onda se unem em um único e gigantesco tsunami. Atenção sempre!

Gostaria de falar hoje sobre algo, que embora seja muito importante em Filosofia, é pouco debatido nas escolas. O assunto é a lógica. Alguém sabe o significado da palavra lógica? Normalmente, quando pergunto a alguns alunos se eles sabem o que é lógica, acabam respondendo: “É lógico, professor! ”.

Confesso que, quando respondem dessa forma à essa pergunta, já percebo que a pessoa conhece boa parte do significado do que vem a ser a lógica. Em Filosofia, a lógica é uma sabedoria que verifica se uma argumentação tem coerência.

Vou citar alguns exemplos. A ciência afirma que, ao nível do mar, a água ferve aos 100 graus Celsius. Isso porque, ao nível do mar, a pressão atmosférica é igual a 1 atm e a altitude é igual a zero. Em todas as vezes que se mediu a temperatura de ebulição da água, nessas condições, ela ferveu quando chegou em 100 graus Celsius.

Reparem que essa argumentação científica tem lógica, ou seja, ela é coerente. Os cientistas não precisaram pegar uma leiteira e um fogão e ir para todas as cidades do mundo, que estão ao nível do mar, para verificarem se esse pensamento é verdadeiro ou falso. Embora visitar todas as praias do mundo seja uma ideia muito agradável (não acham?), temos de lamentar que para isso é preciso perder muito tempo e dinheiro.

Para uma afirmação ser lógica, sua única exigência, é que ela seja coerente. Digo isso porque se confunde muito o valor lógico de um pensamento com o seu valor de verdade. Algo lógico não é necessariamente verdadeiro. Aliás, os grandes mentirosos são grandes mentirosos justamente por saberem mentir com lógica. São numerosos os que vivem, se sustentam e ficam até milionários enganando as pessoas com lógica e coerência.

Durante a Inquisição, no período Medieval, eram feitos alguns testes para saber se uma mulher era bruxa. Um deles, dos mais lógicos por sinal, se realizava da seguinte maneira. Quando a mulher era acusada de bruxaria, amarravam ela debaixo da água por cinco minutos. Se sobrevivesse à essa crueldade, os líderes religiosos a consideravam bruxa e, portanto, condenada à morte. Se não sobrevivesse, julgavam que Deus sabia que ela era bruxa e resolveu mandá-la ao inferno.

Não podemos negar a coerência e a lógica dessa manipulada argumentação. Em todas as circunstâncias a morte da mulher era o único resultado possível, coerente e lógico. Partindo da análise social que a Inquisição queria perseguir as mulheres, sobretudo as que tinham conhecimentos libertadores, esse método de análise é lógico e coerente. Agora conseguem compreender a razão porque uma argumentação lógica não é necessariamente verdadeira?

Quando a professora de Língua Portuguesa analisa uma redação, atenciosamente, um dos critérios que se preocupa na correção é a lógica. O conteúdo que você escreveu pode ser verdadeiro ou falso, mas deve ser lógico, coerente. O que vai determinar a veracidade ou a falsidade de seu texto é o uso social que pode ser feito dele.

Não estou defendendo que vocês criem pensamentos desumanos. Não pretendo que elaborem métodos eficazes de perseguição contra as mulheres. E também nem que argumentem logicamente como uma pessoa, religião, país, cor de pele sejam melhor do que as outras. Fico satisfeito em conseguir explicar que a lógica garante a coerência de um argumento, jamais a sua verdade, pois ao saberem disso podem se defender melhor de pensamentos lógicos e enganosos.

Em quais situações vocês utilizam a logica no dia a dia? Se alguém já te enganou com lógica, como foi o argumento que te iludiu? Em quais profissões a lógica é utilizada como arma de enganar e se aproveitar das pessoas?

 

Saudações filosóficas.

           Prof. Ulisses. 

Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/16hgPtyriSeXPP6vPc085t-66BAkop-q2/view?usp=sharing





sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Assis, 5 de novembro de 2020.


                                                 O tempo. Fonte: wikipédia 




Assis, 5 de novembro de 2020.

Queridos alunos.

Estão bem? Como vão as coisas?

Gostaria de alguns minutinhos da atenção de vocês, e se me concederem, ficarei muito satisfeito. Justamente por isso mesmo. É uma honra conseguir um tanto da atenção das pessoas, precisamente pela questão do tempo. E é exatamente dele que vamos conversar um pouquinho.

O tempo é daqueles temas que todo mundo sabe dizer alguma coisa sagaz, mas é difícil organizar em palavras qualquer definição mais específica sobre ele. Em todas as áreas do conhecimento humano, de uma maneira ou de outra, podemos perceber muitas considerações interessantes sobre o tempo.

Para a Física, mais nítido nas argumentações do cientista Albert Einstein, o tempo é relativo. Está relacionado com outras coisas como a velocidade e o espaço. Dependendo da velocidade de deslocamento de algum objeto, por exemplo um avião, o tempo corre de forma mais rápida ou mais lenta. Suas demonstrações são valiosas e indispensáveis para o acelerado desenvolvimento tecnológico que temos em nossos dias.

Na tradição religiosa judaica, ficaram registrados alguns pensamentos sobre o tempo, pela escrita do Rei Salomão. Nele, o então monarca dos judeus, afirma que há tempo para tudo. Para plantar, para colher, para ficar alegre, para ficar triste, para trabalhar, para descansar. A sabedoria se insere em identificar o tempo certo para fazer a coisa certa, porque o resto é tudo ilusão.

Geralmente, as religiões relativizam o tempo em função de Deus, que seria o senhor criador do tempo e de todas as coisas, para o qual um minuto, um século ou um milênio é nele a própria eternidade. Para os seres humanos, recomendam o controle dos prazeres no presente, em nome de uma vida após a morte em um paraíso

Sempre me recordo quando faltam apenas dois minutos para acabar a última aula. Eles parecem eternos, não acham? E são apenas dois minutos! Para o corredor jamaicano Usain Bolt, nesse mesmo tempo, dá para ele dar uma volta ao redor do mundo. Se o cara corre cem metros em alguns segundos... dois minutos é uma vida!

Os filósofos também escrevem sobre o tempo, e normalmente, falam de maneira mais complicada e cheia de palavras difíceis aquilo que a maioria das pessoas já sabem. Alguns dividem o tempo em passado, presente e futuro, sucessivamente. Outros dizem que o tempo é relativo à intensidade daquilo que se vive, como a felicidade de uma criança que ganha um presente que desejou muito, essa satisfação pode durar a vida inteira ao se lembrar daquele instante. O mesmo vale para quando acontece algo ruim e triste, enfim... são coisas da vida.

Há quem valorize o tempo presente, ou seja, o agora. O futuro estaria em um segundo plano, pois depende em partes daquilo que se faz agora. Digo em partes porque não conseguimos controlar tudo, nem mesmo se nós estaremos no futuro. O passado num terceiro plano, afinal, não podemos alterá-lo apenas nos resta reinterpretá-lo à nossa maneira.

Uma vez perguntei para um grande amigo, e filósofo, se tempo era dinheiro. O Sanabria me respondeu, sabiamente, que tempo é muito mais valioso do que dinheiro. Imaginem a pessoa mais rica do mundo em um estágio terminal de alguma doença grave. Ela gastaria todo o seu dinheiro por um tempo a mais.

Comecem a reparar como as pessoas que se recuperam de sérios problemas de saúde como elas valorizam o tempo presente. Procuram aproveitar melhor a vida com afazeres mais edificantes, tanto do ponto de vista professional como em lazeres.

E vocês o que pensam? Valorizam o tempo? Tempo é dinheiro? A velocidade das coisas altera a percepção do tempo? E quando o tempo presente é ruim, o que fazer?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1Uq5OZth26TEFb4v9zk50xQMsQIFAPOPe/view?usp=sharing


Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...