domingo, 18 de abril de 2021

Assis, 18 de abril de 2021.

       Título: Fidel Castro - o soldado das ideias (2021). Autor: Gabriel Serodio 
 



    Assis, 15 de abril de 2021.

    Queridos alunos.

Como vão as coisas? Estão bem? Espero que estejam se cuidando e tomando as medidas necessárias de saúde para protegerem a si mesmos e aos outros. Afinal, se a vacinação continuar no ritmo que está, a população toda será vacinada no prazo de se bobear uma década. Atenção e pressão!

Fiquei muito satisfeito com a recepção em relação à última carta. Aquela que conversamos um pouco sobre os filósofos pré-socráticos, lembram? Fui inteligentemente questionado por alguns que me perguntaram o porquê de utilizarmos a mesma carta tanto para falar de Sociologia quanto de Filosofia. Só então percebi que faltava uma explicação para isso. E é sobre isso que vamos conversar hoje, para nas próximas, podermos retomar alguns conteúdos.

Como todo bom filósofo, em vez de responder a um problema, vou aumentá-lo com a intenção de que se tenha uma leitura mais aberta da situação. Em nossa escola, como na maioria das escolas de Ensino Médio do Brasil, não temos professores especializados em muitas disciplinas que lecionam com vocês.

Nesse caso, minha formação é em Filosofia, ou seja, não sou especializado em Sociologia. Para tampar o sol com a peneira, o Estado permite que na ausência de professores formados em uma disciplina outros professores da mesma área peguem aulas na matéria em que não tem um especialista disponível.

Como Filosofia e Sociologia são disciplinas de Ciências Humanas, na ausência de um professor de Sociologia, me foi possível ministrar essas aulas para vocês. Dessa forma, o fato de ter mais aulas na escola, facilita um melhor conhecimento sobre a realidade de vocês e de nosso bairro. Minimiza, precariamente, o fato de o Estado não cumprir com o seu papel contratando um professor especialista em Sociologia para assumir as aulas da escola.

Diante desse desafio, fiz uma opção de ensino para satisfazer essa dificuldade que se apresenta para nossa escola. A escolha foi passar o conteúdo de Filosofia para vocês, por ser a disciplina que possuo um conhecimento maior do que de Sociologia, mas quando proponho as atividades de Sociologia e de Filosofia, a forma de elaborá-las vai em acordo com o que cada disciplina exige.

Resumindo: faço questões filosóficas sobre esses conteúdos de Filosofia e faço questões sociológicas sobre os mesmos conteúdos de Filosofia.

Vou citar um exemplo. No primeiro bimestre do segundo ano, o Currículo do Estado de Sociologia, propõe trabalhar o conceito de aculturação. Na semana passada, vocês viram na carta sobre os pré-socráticos a importância de se estudar essa Filosofia atualmente, mesmo ela sendo criada na antiguidade grega. A questão que elaborei para essa série, definia o que era aculturação e se é ou não importante sermos aculturados no Brasil do século XXI com culturas antigas da Grécia Antiga.

Assim, os alunos do segundo ano aprenderam um conteúdo de Sociologia quando elaborei a questão, no caso o conceito de aculturação. Aplicaram esse conhecimento sociologicamente analisando uma matéria de Filosofia, os pré-socráticos. E o mesmo aconteceu quando elaborei as questões do primeiro e do terceiro ano do Ensino Médio.

Se vocês lembrarem na carta anterior, ou voltarem para dar uma relida nela, vão perceber que também trato os filósofos pré-socráticos como biólogos e químicos. Para Tales de Mileto, a água é o princípio (arché) do mundo. Hoje sabemos que sem água não há vida da forma como conhecemos, e quimicamente, a água é Hidrogênio e Oxigênio.

Então, meus queridos, quando escrevo cartas e conteúdos de Filosofia para a gente conversar elas podem ser abordadas por muitas disciplinas. Depende da forma como perguntamos. Torço para os professores de Língua Portuguesa não lerem nossas cartinhas, pois vão achar muitos erros e burradas desse aqui que tenta escrever. Contudo, ao lerem e me corrigirem a sugestão será aceita e termos uma carta melhor.

Para encerrar, vou fazer uma citação ao maior estadista do século XX, o cubano Fidel Castro. O povo cubano assumiu o poder político em Cuba no dia primeiro de janeiro de 1959 por via de um processo político chamado Revolução Cubana. No ano de 1961, conseguiram acabar com a analfabetismo. Atualmente, todos os alunos que concluem o ensino secundário têm acesso garantido e gratuito às Universidades em Cuba.

Por isso, dentre outras virtudes, Cuba hoje possui a medicina mais desenvolvida do mundo, a pandemia ela está controlada e estão na fase final da vacina Soberana 02. A produção dessa vacina será para a distribuição, além de Cuba, no Caribe e nas Américas

Castro, o soldado das ideias, pensava que não existe distinção entre ciências, humanas, exatas, biológicas, linguagens e todas as divisões. Toda ciência é humana e exata, é humana porque é feita por gente e exata porque é ciência, mas os professores de cada uma delas devem ser especialistas na área específica em que estão trabalhando.

Acham que toda ciência é humana e exata? Ou é preciso ter a divisão entre as ciências? É possível ter divisão entre as ciências e elas continuarem sendo humanas e exatas ao mesmo tempo?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.




domingo, 11 de abril de 2021

Assis, 11 de abril de 2021.


                               Título: Tales de Mileto (2021) Autor: Gabriel Serodio


Assis, 11 de abril de 2021.

Queridos alunos.

Tudo bem com vocês? Como passaram a última semana? Muitos trabalhos de final de bimestre? Se escondendo, na medida do possível, do vírus? Espero que estejam todos muito bem e ligados para os desafios que a sociedade anda nos massacrando por demais.

No ano de 2021, até a semana passada, estava me comunicando através de um canal de vídeos pela plataforma do YouTube. A partir dessa semana, pelo menos nos próximos períodos, retornaremos ao texto do blog e ao áudio.

Tomei essa decisão pelo seguinte motivo. Estou encontrando muitas dificuldades para gravar vídeos com a qualidade que é mínima para a divulgação. Não tenho, ainda, o domínio tecnológico para produzir conteúdo com qualidade técnica.

Estou me empenhando em cursos e estudos para poder gravar bons vídeos. Enquanto eles não estiverem concluídos prosseguiremos por aqui mesmo. Peço paciência e desculpas para vocês. E... vamos ao conteúdo!

Na semana passada, falamos sobre a importância de se ter tempo livre para a atividade científica e filosófica. Ele é fundamental, porque além de propiciar descanso, faz com que as pessoas tenham disposição para estudar. Vimos que o tempo livre, desde a Grécia Antiga, é um privilégio de classe, ou seja, os ricos têm tempo livre pra descansar e filosofar enquanto os pobres são materialmente forçados ao trabalho.

Hoje nós vamos ver sobre os Filósofos e a Filosofia pré-socrática. Esses pensadores, de uma maneira geral, estudam a natureza, em grego physis. Buscam a explicação dos fenômenos naturais como as chuvas, as secas, a ordem cosmos do universo em fundamentos naturais e argumentativos. Esses fundamentos, princípios, eles chamavam de arché.

Faço questão de citar os termos em grego, pois quando vocês forem avaliados em provas de concursos ou vestibulares, para os confundirem os organizadores desses exames usam as palavras em grego. Um perfeito método de exclusão.

Então, se atentem para isso, toda Filosofia pré-socrática foi produzida antes do Sócrates? N – A – O NÃO! Eles estudam a natureza physis. A medicina; a biologia; a química e outras disciplinas também estudam a natureza, portanto são ciências e seus cientistas também são pré-socráticos. Que fique bem determinado, a Filosofia pré-socrática é todo ramo do saber que estuda a natureza.

Os filósofos pré-socráticos da Antiguidade, de uma maneira geral, buscavam o princípio arché que seria o criador da ordem cosmos do universo. Justificavam esses princípios por meio da argumentação e da palavra logos ou pelas demonstrações concretas e materiais.

Tales de Mileto, o primeiro filósofo, matemático e astrônomo da Antiguidade na cultura grega, dizia que esse princípio arché era a água. Fundamentava esse pensamento afirmando que ela é presente no que é vivo e ausente no que é morto, pois tudo o que morre desidrata. Foi o primeiro astrônomo a prever um eclipse do sol. Suas observações têm um índice de acerto tão alto que foram confirmadas pela ciência atual, afinal, os biólogos atualmente afirmam que a condição básica da vida como conhecemos é a água. O que os químicos chamam de Hidrogênio e Oxigênio.

Anaximandro de Mileto, discípulo de Tales e notoriamente radicado na mesma cidade (Mileto), já dizia que o princípio arché é o ápeiron (infinito). Para ele a ordem cosmos do universo se dá por uma combinação de forças contrárias (quente e frio; seco e úmido). Tudo o que acaba volta para esse infinito.

Heráclito de Éfeso, por sua vez, afirma que o princípio arché é o fogo e a mudança. Para ele, uma pessoa não passa duas vezes no mesmo rio, pois quando ela tenta passar pela segunda vez nem o rio e nem ela mesma seriam mais os mesmos. A guerra é a mãe e a rainha de todas as coisas. A realidade e as pessoas apenas melhoram por meio de confrontos e polêmicas, pois elas geram a mistura e a síntese de ideias antigas formando novas práticas e pensamentos.

Jean-Pierre Vernant, grande historiador que estudou a Antiguidade grega, afirmou que as condições políticas e sociais que produziram a Filosofia pré-socrática foram a mudança da centralização da economia política dos reinos e castelos para o poder dos agricultores e comerciantes. Daí o mito não passou a forma única de se olhar para os fenômenos naturais, mas também a razão e a demonstração.

E vocês preferem a razão ou o mito? A ciência ou a fé? A fé na ciência ou a ciência na fé? Ou as duas coisas?

 

Saudações filosóficas.

 

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1PEEiT2U7IqCPYEuqdYFlr-wuUQoDC0Kv/view?usp=sharing

Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...