quarta-feira, 16 de junho de 2021

Assis, 16 de junho de 2021.

 

                                    Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio


Assis, 16 de junho de 2021.

Queridos alunos,

Vocês estão bem? E as coisas como vão? Se cuidando contra a pandemia? Temos que manter a atenção sempre em alta e, nunca é demais refletir, apenas voltem para as aulas presenciais depois de passados 21 dias que tomarem a segunda dose da vacina. Vamos tomando todos os cuidados, o vírus está à solta, e não deem ouvidos para o jumento da República. Usem máscara!

Nossa conversa de hoje ainda será sobre o filósofo Platão. Em suas considerações sobre política, de uma forma muito organizada, ele propõe que a administração do governo deve refletir, espelhar, a organização da alma. Para ele, a divisão da cidade deve ser como a divisão da alma. Vejamos como Platão faz essas divisões:

PARTES DA ALMA

PARTES DA POLÍTICA.

RACIONAL: (cérebro) comanda as emoções e as sensações.

GOVERNO: (filósofo) comanda e administra a cidade-estado.

EMOCIONAL: (coração) domina os sentimentos. É comandada pela racional e ajuda a racional a controlar a sensitiva.

DEFESA: (exército/polícia) controla a produção material. É inferior ao governo e o ajuda a dominar a agricultura.

SENSITIVA (púbis):é a parte da alma que sente necessidades materiais – frio, calor, fome, desejo sexual, dor, prazer.

AGRICULTURA: (camponeses/artesãos) é controlada pelo governo e pela defesa. Supre as necessidades materiais da cidade estado – alimentação, utensílios, construção de casa.

 

Reparem que, como discutimos na última carta, essa ordenação é algo IDEAL para Platão, ou seja, as pessoas individualmente deveriam prezar pelo equilíbrio de suas almas e a administração da cidade fazer o mesmo com o governo. Por isso, Platão é conhecido como idealista. Um filósofo idealista é aquele que cria um pensamento filosófico e quer que a realidade se adapte à ele.

Platão afirmou que é papel do estado educar as pessoas para melhor se dedicarem à parte da política que lhe seria mais adequada. Dos 0 (zero) aos 20 anos, se formariam os agricultores; dos 20 aos 30 anos, os militares; dos 30 aos 50 anos os governantes (filósofos). Esse regime político idealizado chama-se sofocracia (o poder dos sábios).

A filosofia de Platão tenta perseverar em um equilíbrio racional. Evita as contradições da vida e marca sua impressão digital em todos os ramos do saber em que o filósofo manifesta seus raciocínios. Essa “tatuagem” platônica que podemos perceber nas suas argumentações, pode ser entendida sem sombras de dúvidas, no seu idealismo.

No famoso “mito da caverna”, alegoria usada por Platão para fazer a diferença entre mundo sensível e mundo inteligível (conceitos da última carta, lembram?), o idealismo platônico ganha formas dramáticas. Muitos historiadores dizem que Platão se inspirou na morte de Sócrates para elaborar essa exposição.

No livro República, Platão coloca como se Sócrates estivesse narrando o mito. Pede para imaginar alguns prisioneiros acorrentados em uma caverna. Esses apenas conheciam as sombras indefinidas das coisas que se projetavam na parede.

Um deles consegue se libertar das correntes e percebe que as sombras eram apenas vestígios ruins da realidade verdadeira. Ao voltar para a caverna e falar da realidade para os outros presos é julgado como louco e, ao propor a liberdade, inicia-se uma revolta em que assassinam o portador das novas ideias.

Assim, o mundo sensível é o das sombras e repleto de enganos. As verdades ideais seriam aquelas que o filósofo consegue identificar, sobretudo quando se liberta da prisão que o obriga a apenas a ver as coisas de uma maneira única.

O pensamento de Platão passa por muitos temas que são importantes para o convívio cotidiano. Ele fala sobre política, economia, educação, conhecimento, amor, enfim... de vários aspectos das relações humanas em vida comunitária.

E vocês? Acham que a vida deve ser idealizada para depois esses pensamentos serem aplicados nas relações concretas? Concordam com o idealismo de Platão? Quais seriam as “correntes” atuais que nos prendem a somente uma forma de ver o mundo?

 

Saudações filosóficas.

 

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/11_aap5B4CGOMJOrtz45JuGi9KPVKEyXu/view?usp=sharing


quarta-feira, 9 de junho de 2021

Assis, 9 de junho de 2021.

 

                              Título: Platão no céu (2021). Autor: Gabriel Serodio


Assis, 6 de junho de 2021.

Queridos alunos.

Olá! Como estamos? Sigam as orientações de saúde coletiva. Apenas voltem para as atividades escolares depois que estiverem todos vacinados. Em caso de precisarem de algum auxílio que a escola possa ajudar, peçam para que algum responsável, ou vocês mesmos, se comuniquem com os gestores por meio da internet ou por telefone.  

Por enquanto, o que temos a fazer é manter o máximo de distanciamento presencial possível. Em tempos de contágio viral de dimensão planetária, as maiores provas de amor não são abraços e proximidades, mas o distanciamento físico sem perder o contato humano. A preocupação humanitária pode se realizar por uma mensagem, áudio, vídeo, telefonema, enfim... Não relaxemos porque a situação é muito grave.

O interessante que podemos destacar aqui, sobretudo com isso de amores que devem ser mantidos à distância, é o do famoso amor platônico. Vocês já ouviram essa expressão?

Amor platônico é aquele idealizado e não acontece na prática. Nessa situação, quem está apaixonado concebe apenas nas suas próprias ideias a pessoa amada, faz projetos de futuro e nem sequer se declara. Os motivos para não assumir são vários, na maioria das vezes, passa pelo medo da rejeição e pela vergonha. Isso é muito mais comum do que podemos imaginar.

A origem desse conceito de amor, do ponto de vista filosófico, são os pensamentos de um pensador chamado Platão (428/427 – 347 a.C.). Esse filósofo, que acredito que muitos já ouviram falar alguma coisa, foi um dos mais conhecidos da Grécia Antiga. Sua filosofia teve uma influência decisiva para a formação da cultura Ocidental.

Seu nome verdadeiro era Arístocles. Ganhou o apelido de Platão por ter os ombros grandes e largos, ou seja, em virtude de sua estatura física. Platão era filho da aristocracia escravocrata de Atenas. Desejava se formar como político para poder melhor defender sua classe social.

Iniciou seus estudos filosóficos com um pensador chamado Crátilo, mas aos vinte anos de idade, passou a ser seguidor e discípulo de Sócrates. No ano de 403 a.C., quando a aristocracia retomou o poder político em Atenas, dois parentes seus Cármides e Crítias conseguiram altos cargos nesse governo oligárquico. Nesse período, Platão passou a exercer uma profunda influência política.

Alguns anos mais tarde, os democratas retomaram o poder, e uma das medidas que fizeram foi processar Sócrates (que já era professor de Platão), o que ocasionou a condenação de morte de seu mestre. Depois desse acontecimento, Platão realizou algumas viagens e se estabeleceu fora de Atenas, afinal, seus inimigos democratas estavam no poder.

Nessas viagens, Platão passou por diversas experiências marcantes, o que fez muita diferença na sua forma de pensar. Quando esteve na Sicília, tentou fazer um acordo com o governo local para poder implementar as suas ideias de governo. Em uma reviravolta no jogo político foi vendido como escravo para um espartano. Depois de uns amigos juntarem dinheiro acabou sendo resgatado e teve novamente sua liberdade.

De volta à cidade de Atenas, fundou a Academia em um ginásio que estava situado em um local que rendia homenagens ao heroi Academos. Começou a ensinar seu pensamento filosófico de maneira mais sistematizada para quem quisesse se instruir em sua escola.

Sua Teoria do Conhecimento, área da Filosofia que busca os fundamentos do conhecimento verdadeiro, dividia a realidade em dois mundos. O mundo sensível ou material e o mundo inteligível ou das ideias.

Para Platão, o mundo sensível ou material, é esse que nós vivemos. Cheio de imperfeições, de injustiças, em que tudo muda o tempo todo e por isso nada pode ser conhecido. Ele é uma cópia imperfeita, feita por um artesão que nem sempre está inspirado, do mundo inteligível ou das ideias.

Esse mundo inteligível ou das ideias é uma realidade verdadeira e por isso superior. Nossa alma, antes de nascer, teria visto as ideias perfeitas de justiça, de bondade e de beleza. Nosso corpo, aqui no mundo material, seria uma prisão para a alma por impedir ela de se libertar e conhecer as ideias verdadeiras.

Platão, embora o mundo material seja imperfeito e desprezível, encontra uma maneira das pessoas se libertarem da ignorância que por aqui predomina.

Através do abandono dos prazeres carnais e do corpo, o filósofo consegue por meio da reflexão e do método de Sócrates (dialético), se lembrar das ideias que sua alma viu antes de seu corpo nascer e aprisioná-la. Platão chama isso de Teoria da Reminiscência. A palavra reminiscência quer dizer, aproximadamente, lembrança.

Agora entendem a razão do amor platônico ser o amor idealizado? Aquele amor que a pessoa apaixonada idealiza e não coloca em prática só é perfeito por não ter a prática material. Não há o convívio, as relações e todas as coisas que a relação material com o mundo nos possibilita.

As coisas no papel ou na cabeça da gente são perfeitas. Dar o passo para a realidade material é as vezes tão complicado que Platão, em sua filosofia, nem recomenda que isso seja realizado. Por isso é difícil isolar-se do mundo em uma pandemia, para que isso pudesse ser possível, era necessário que tivéssemos o governo ideal que distribuísse um auxílio emergencial por mais de dois anos em torno de R$ 3.000,00.

Como não temos o governo ideal o mais perto do ideal possível é que as pessoas assumam o governo do Estado e sejamos nós nosso próprio governo.

Na próxima carta vou falar um pouquinho com vocês sobre o mito da caverna de Platão, que ilustra essa concepção de mundo sensível e mundo inteligível, e como a alma e a política são divididas pelo filósofo.

O que acharam das viagens do Platão?


Saudações filosóficas.


Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/12IHXFB1drX4Jo-CCptIwXRSWbI99qzKB/view?usp=sharing


Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...