segunda-feira, 31 de maio de 2021

Assis, 31 de maio de 2021.

                             Título: A Luta do Povo Negro (2021). Autor Gabriel Serodio.
 

Assis, 13 de maio de 2021

Queridos alunos.

Tudo bem com vocês? Estão se cuidando e estudando? Alguma necessidade material que eu possa ajudar? Espero que estejam com as coisas caminhando satisfatoriamente e, qualquer coisa diferente, podem me avisar. Sem constrangimento.

Estamos, no dia em que escrevo essa carta para vocês, celebrando um dia de luta muito importante para os negros brasileiros e a classe trabalhadora em geral. Há 133 anos, a nação negra das Américas, conseguia a abolição da escravatura. Isso depois de muita luta, trabalho, morte e transpiração do povo negro.

A força de mobilização do povo negro é tamanha que, um ano após conseguirem deslegitimar a escravidão, também derrubaram o império brasileiro. A partir de 1889, com a Instauração da República, a família Orleans e Bragança foi para o lugar mais adequado aos seus pensamentos e políticas de escravidão: o lixo da História.

Graças à luta dos negros deixamos de ser império para nos transformarmos em República.

Na Filosofia, a escravidão foi respaldada por muitos pensadores e defensores que ajudaram que ela permanecesse por muito tempo como uma doutrina apoiada em leis e regulamentos dos Estados e de Nações. Na Antiguidade grega, um de seus maiores expoentes foi o filósofo Sócrates.

Esse pensador começou sua atividade filosófica como organizador de grupos políticos que lutavam pela volta do regime aristocrático em Atenas. Essa cidade-estado, no período da vida de Sócrates, tinha como orientação política a democracia. Com todos os limites de acesso que os escravos tinham aos direitos de cidadania, a democracia grega ainda era muito mais participativa do que a aristocracia. Sócrates era um ardoroso militante pela causa aristocrática.

Ainda assim, sua contribuição para a Filosofia, acabou sendo ao longo do tempo muito valiosa. Não por sua defesa da escravidão, mas pela forma como ensinava as pessoas a questionar. Como estava interessado em questionar a democracia grega, era interessante que ensinasse algumas técnicas de questionamento livre, o que ele chamou de ironia.

A palavra ironia, em grego quer dizer arte de questionar ou dissimulação, que se orienta em dizer o contrário daquilo que se quer expressar. Para provocar as pessoas ao pensamento Sócrates dizia o oposto do que queria dizer. Isso fazia com que elas, por meio da contestação, ao se manifestarem contrariamente fizessem e pensassem aquilo o que ele esperava delas. Atualmente, os psicólogos chamam a ironia de psicologia inversa.

Depois desse diálogo irônico, em que Sócrates buscava trazer para a consciência das pessoas as ideias que seriam verdadeiras, o ato dessas ideias se tornarem conscientes ele chamava de maiêutica. Essa palavra grega quer dizer trazer à luz, como as parteiras fazem com as crianças. Para Sócrates, essas seriam as ideias verdadeiras.

Assim, o conhecimento verdadeiro seria o conhecimento de si mesmo, e não o das relações sociais, econômicas e políticas. As ideias não seriam fruto das relações sociais, mas de origem divina que repousam nas almas das pessoas. Isso faz de Sócrates um idealista.

Dessa forma, Sócrates questionava os sofistas. Segundo ele, esses filósofos ensinavam a argumentação sem se preocuparem com a verdade. Considerava os sofistas como enganadores, que orientavam as pessoas mentirem, em nome de um interesse material.

Esse pensamento socrático é perigoso, pois questiona um fundamento básico da democracia que é o diálogo entre duas partes que estão em conflito. O conhecimento de si mesmo, sem se relacionar com o da sociedade e das pessoas que nos cercam, pode conduzir toda uma comunidade para uma ditadura. Quem olha somente para si mesmo não vê os outros.

Contudo, Sócrates foi vítima de uma grande injustiça. Por ensinar ironia e maiêutica em praça pública para os jovens e quem mais quisesse ouvi-lo foi acusado, sem fundamento e nem provas reais, de corrupção da juventude e de blasfêmia contra os deuses do Estado. Seria mais justa a acusação de defensor da tirania dos reis e ditadores.

Recusou ser exilado em outra cidade, e assim, condenado a morte por envenenamento de cicuta.

Embora as raízes do pensamento de Sócrates sejam politicamente favoráveis aos nobres e grandes ricos de Atenas, de uma maneira geral, sua Filosofia contribuiu muito para o desenvolvimento racional das ciências. Seus métodos irônicos e alguns princípios de coerência entre pensamento, discurso e vida; foram e ainda são muito importantes para o desenvolvimento filosófico e científico.

E vocês conhecem a si mesmos? O conhecimento que tem de si mesmos é aplicável para outras pessoas?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/17sHMC68wXO8rrEbV7LtzvRV3gylZpkMw/view?usp=sharing

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Assis, 10 de maio de 2021


                               Título: Os sofistas (2021). Autor: Gabriel Serodio.

                 




 Assis, 10 de maio de 2021.

Queridos alunos.


        Vocês estão bem? Como vão as coisas? A luta pela sobrevivência é constante, e em tempos de pandemia que se agrava cada dia mais, passa a ser uma grande vitória minuto a minuto. Que estejamos sempre dispostos a exigir os nossos direitos mínimos, no caso, o de uma vacinação em massa.

Hoje nós vamos conversar um pouco sobre os sofistas. Esses filósofos, que começaram a fazer os debates ainda lá na Antiguidade grega, eram professores. A tradição sofista, de uma maneira geral, ensina a arte de argumentar de maneira convincente. Tal ciência ficou mundialmente conhecida como retórica.

É importante nós entendermos a retórica como uma grande contribuição que os sofistas deixaram para a sociedade. O objetivo único da retórica é o convencimento pelo discurso, que pode ser desde uma fala (pública ou para uma pessoa) até um texto ou um filme, ou seja, o seu valor de verdade se coloca na seguinte frase. A retórica verdadeira é aquela que te convence, a falsa, é aquela que tenta te convencer, mas não convence.

Nos dias atuais, é muito comum se observarmos bem, diversas profissões que precisam de técnicas de retórica para se estabelecerem. Os vendedores, os advogados, os juízes, os professores, os publicitários e até mesmo a indústria cultural usam técnicas de convencimento para fazer com que as pessoas acreditem e comprem o que estão falando.

Imaginem qualquer uma das profissões que citei no parágrafo anterior. Se esses profissionais não souberem argumentar, por via de uma fala, de uma apresentação e até mesmo na forma de se vestirem; não conseguirão exercer sua atividade com qualidade.

Ninguém quer ver um professor, um advogado, um promotor, o Gusttavo Lima ou a Anitta, falando mal ou vestido fora da moda. Dependendo da profissão, estrategicamente, estar pouco vestido ou seminu é um poderoso e sedutor argumento de retórica.  

Na Antiguidade, os sofistas, foram considerados os primeiros professores e filósofos que ensinavam a retórica. Andavam entre as cidades-estados situadas na Grécia Antiga para ensinar os filhos dos ricos a arte de bem argumentar, pois eram esses que tinham dinheiro para pagarem suas aulas.

Entre os séculos VI e V a.C., os sofistas exerciam suas atividades educativas com grande intensidade. As condições históricas que possibilitaram esse auge dos sofistas se demonstram na forma política que a maioria das cidades-estados apresentavam.

Todos os cidadãos tinham direito à voz, ou seja, podiam escolher sobre os destinos da cidade. Desde resolver um problema comercial e até votarem sobre novas leis. Decidiam se o Exército local iria ou não para uma guerra. Parece uma democracia perfeita, né?

Contudo não era bem assim, quem tinha cidadania eram apenas os homens, livres e proprietários de terra. Assim, as mulheres, as crianças e os escravos não eram nem considerados cidadãos, mas propriedade de algum cidadão. As mulheres eram propriedade do pai ou do marido, na falta de um dos dois, do irmão mais ou tio mais velho. Os escravos propriedade dos senhores de terra. As crianças propriedades dos pais, no caso, do pai homem (em grego, patéras). Daí, a palavra paternalismo.

Dessa forma, apenas os filhos homens dos grandes ricos e proprietários de terras eram educados pelos filósofos sofistas. Aprendiam a retórica, como uma habilidade de defender publicamente seus interesses, e exercer a divina democracia entre os iguais.

Assim, a retórica era um exercício de se ter habilidade de convencer pelo discurso, o que na prática se resumia em expor um argumento com a finalidade prática (pragmática) de fazer ouvir e impor sua vontade aos outros. Protágoras de Abdera, grande sofista da Antiguidade, sintetizou esse pensamento em um princípio chamado Homo Mensura – o homem é a medida de todas as coisas.

Para Protágoras só é válido o pensamento que expressa a vontade do homem que o expõe de modo convincente. Esse homem é bem definido. Ele é do sexo masculino, é rico e é livre. Portanto, esse ser que é a medida de todas as coisas têm sua raiz econômica e social.

Górgias de Leontini, outro sofista famoso da Antiguidade, elaborou uma série de argumentos que tentam justificar a necessidade da retórica. Ele pensa da seguinte maneira. A verdade não existe, se existisse não poderia ser conhecida, se fosse conhecida não poderia ser comunicada. Dessa maneira, acaba justificando a necessidade da retórica e dos sofistas para ensiná-la, afinal, se não podemos conhecer a verdade o que prevalece é um acordo entre as pessoas.

Para concluir, vimos que a retórica é importante na sociedade tanto antiga como atual e que os filósofos sofistas eram professores de retórica. Ela foi importante para a consolidação da democracia grega, por ensinar a arte da argumentação para uma elite agrária. Os filósofos sofistas, como Protágoras e Górgias, acreditavam no poder dos acordos entre os homens por meio da argumentação. Afinal, viviam do ensino da retórica e, por isso, não acreditavam na verdade absoluta.

E vocês o que pensam? É importante saber argumentar? Conseguem imaginar mais profissões que usam a retórica na atualidade?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.     


Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1eF5YYnkhTHb1fmAqmoMdUFOZp73iASNZ/view?usp=sharing

Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...