sexta-feira, 17 de julho de 2020

Assis, 17 de julho de 2020.

                                            Tripalium. Fonte Wikipédia


Assis, 16 de julho de 2020.

Queridos alunos.

Vocês estão bem? Como passaram a última semana? Estudando bastante? E o trabalho? Tudo nos “conformes”? Que essa carta encontre todos com boa saúde e o equilíbrio necessário para prosseguir na luta constante do dia a dia.

Com muita satisfação, tenho percebido uma maior procura para falar sobre os temas que estamos desenvolvendo nos últimos meses por meio de nossas cartinhas. Recebi algumas respostas, todas muito inteligentes, e até algumas cartinhas sobre Filosofia e Vida. Fico feliz com as ideias que desenvolvem. Fiquem sabendo que, sem sombra de dúvida e nem falso elogio, eu aprendo muito mais com vocês do que vocês comigo.

Também tenho tomado a liberdade de estimular que me escrevam mais cartas sobre Filosofia. Para quem não se sentir à vontade para escrever, peço que falem via áudio do Whatsapp. Não se sintam pressionados em me responder se não quiserem. Incentivo apenas com a intenção de aprender mais com vocês. Tranquilo?

Hoje quero falar um pouco sobre trabalho. Creio que ele seja a parte mais importante de nossa sobrevivência, tanto material quanto espiritual, posto que a existência material é a primeira (e talvez a única) grande luta de todos os seres humanos ao longo de toda a vida.

A palavra trabalho, em sua origem latina, se escreve tripalium. Esse termo horroroso era usado para designar uma máquina grosseira de tortura. Inicialmente, esse mecanismo foi utilizado para ferrar os cavalos. Os romanos tiveram a infeliz ideia de utilizar esse instrumento para torturar os escravos.

O filósofo Aristóteles, esse mesmo que muitas vezes celebramos por sua Filosofia, era um grandessíssimo apoiador da escravidão.  Por ter sido aluno de Platão, não se justifica que ele tenha defendido a escravidão. Platão condenava a escravidão e defendia a igualdade e a dignidade humana. Aristóteles comparava os escravos aos animais e dizia que os dois deveriam ser tratados da mesma forma, ou seja, com a mesma brutalidade. Na atualidade, creio eu, Aristóteles se juntaria aos protetores dos animais. Se mudaria de ideia sobre a escravidão... tenho cá minhas dúvidas.

Na nossa sociedade liberal, segundo o filósofo Karl Marx, o trabalho escravo foi superado. Em seu lugar temos o trabalho assalariado. Essa forma se manifesta de diversas maneiras... trabalho por comissão, por produtividade, enfim, a nossa força de trabalho é a única forma de sobrevivência dos pobres. Não é todo mundo que é empresário ou milionário para viver do trabalho dos outros.... da exploração! Afinal, é melhor ser empregado ou trabalhador autônomo do que escravo, né?

Alguns dias atrás uma notícia muito triste foi divulgada nacionalmente. Uma doméstica estava oferecendo seus serviços em troca somente de comida. Isso mesmo! De comida! Quando foi questionada pelo jornalista, disse que era a única forma que encontrou de colocar alimento em sua casa, pois por ser considerada velha as pessoas não queriam mais contratar ela.

Em tempos de pandemia de COVID-19, sua situação havia deteriorado demais, por ter problemas de saúde agravados pela idade e pelos maus tratos sofridos durante toda a sua vida. Sem saída, foi a forma que conseguiu para tentar um serviço.

Ainda existe trabalho escravo no mundo? O que uma pessoa é capaz de fazer, desesperada pela fome, e pelas necessidades dos filhos e netos? A sociedade não possui meios para alimentar todas as pessoas? Qual é a saída dos trabalhadores para superar essas crises?

 

Saudações filosóficas e sociológicas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1aPivcgcmw3KANFwy_vq1iW7uRWl_1AbC/view?usp=sharing


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