Assis, 16 de julho de 2020.
Queridos
alunos.
Vocês
estão bem? Como passaram a última semana? Estudando bastante? E o trabalho? Tudo
nos “conformes”? Que essa carta encontre todos com boa saúde e o equilíbrio
necessário para prosseguir na luta constante do dia a dia.
Com
muita satisfação, tenho percebido uma maior procura para falar sobre os temas
que estamos desenvolvendo nos últimos meses por meio de nossas cartinhas.
Recebi algumas respostas, todas muito inteligentes, e até algumas cartinhas
sobre Filosofia e Vida. Fico feliz com as ideias que desenvolvem. Fiquem
sabendo que, sem sombra de dúvida e nem falso elogio, eu aprendo muito mais com
vocês do que vocês comigo.
Também
tenho tomado a liberdade de estimular que me escrevam mais cartas sobre
Filosofia. Para quem não se sentir à vontade para escrever, peço que falem via
áudio do Whatsapp. Não se sintam pressionados em me responder se não
quiserem. Incentivo apenas com a intenção de aprender mais com vocês.
Tranquilo?
Hoje
quero falar um pouco sobre trabalho. Creio que ele seja a parte mais importante
de nossa sobrevivência, tanto material quanto espiritual, posto que a
existência material é a primeira (e talvez a única) grande luta de todos os
seres humanos ao longo de toda a vida.
A
palavra trabalho, em sua origem latina, se escreve tripalium. Esse termo
horroroso era usado para designar uma máquina grosseira de tortura.
Inicialmente, esse mecanismo foi utilizado para ferrar os cavalos. Os romanos
tiveram a infeliz ideia de utilizar esse instrumento para torturar os escravos.
O
filósofo Aristóteles, esse mesmo que muitas vezes celebramos por sua Filosofia,
era um grandessíssimo apoiador da escravidão. Por ter sido aluno de Platão, não se justifica
que ele tenha defendido a escravidão. Platão condenava a escravidão e defendia
a igualdade e a dignidade humana. Aristóteles comparava os escravos aos animais
e dizia que os dois deveriam ser tratados da mesma forma, ou seja, com a mesma
brutalidade. Na atualidade, creio eu, Aristóteles se juntaria aos protetores
dos animais. Se mudaria de ideia sobre a escravidão... tenho cá minhas dúvidas.
Na
nossa sociedade liberal, segundo o filósofo Karl Marx, o trabalho escravo foi
superado. Em seu lugar temos o trabalho assalariado. Essa forma se manifesta de
diversas maneiras... trabalho por comissão, por produtividade, enfim, a nossa
força de trabalho é a única forma de sobrevivência dos pobres. Não é todo mundo
que é empresário ou milionário para viver do trabalho dos outros.... da
exploração! Afinal, é melhor ser empregado ou trabalhador autônomo do que
escravo, né?
Alguns
dias atrás uma notícia muito triste foi divulgada nacionalmente. Uma doméstica
estava oferecendo seus serviços em troca somente de comida. Isso mesmo! De
comida! Quando foi questionada pelo jornalista, disse que era a única forma que
encontrou de colocar alimento em sua casa, pois por ser considerada velha as
pessoas não queriam mais contratar ela.
Em
tempos de pandemia de COVID-19, sua situação havia deteriorado demais, por ter
problemas de saúde agravados pela idade e pelos maus tratos sofridos durante
toda a sua vida. Sem saída, foi a forma que conseguiu para tentar um serviço.
Ainda
existe trabalho escravo no mundo? O que uma pessoa é capaz de fazer,
desesperada pela fome, e pelas necessidades dos filhos e netos? A sociedade não
possui meios para alimentar todas as pessoas? Qual é a saída dos trabalhadores
para superar essas crises?
Saudações
filosóficas e sociológicas.
Prof. Ulisses.
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1aPivcgcmw3KANFwy_vq1iW7uRWl_1AbC/view?usp=sharing

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