Assis,
9 de julho de 2020.
Queridos alunos
Como
essa pandemia de COVID-19 só aumenta, nós ainda permanecemos afastados da
escola, afinal,
é um método mais ou menos seguro que a Organização Mundial da Saúde (OMS)
encontrou na prática para, por enquanto, combater essa moléstia. Cabe uma
reflexão. A OMS, entidade financiada para atuar em situações como a dessa calamidade,
manda você ficar em casa para evitar que que a doença se espalhe. E se você
tivesse que enfrentar a doença? Como será que a OMS se posicionaria?
E
vocês? A quantas andam? Estão se cuidando? Olhem, sempre é bom relembrar, pois
muitos ainda me perguntam quais são as atividades de Filosofia para realizarem
como meio para atingir as notas. As atividades são a leitura e/ou a escuta
dessas cartinhas. Fiquem à vontade para me responderem ou não. Se, por alguma
resolução astral dos MITOS, vocês não fizerem nada disso durante esses dias de
aulas à distância, resolveremos pacientemente quando as aulas voltarem. Tá
certo?
Por
falar em MITO, esse é um tema amplamente discutido na história da Filosofia. O
significado dessa palavra, de uma forma bem resumida, se trata de qualquer história
que pode ser contada ou narrada. Essas histórias que venho contando pra vocês,
em grande parte, podem ser tidas como mitos! Que legal! Isso já desmonta a
ideia de que os mitos estão confinados na antiguidade.
Vamos
lembrar um pouquinho da diferença entre mito e Filosofia? O mito é toda a
crença que depende única e exclusivamente da fé de uma pessoa para ser
considerado verdadeiro.
A
Bíblia é o livro sagrado dos cristãos, porque esse grupo religioso (os
cristãos), a consideram como uma verdade revelada por Deus e seus profetas. O
Alcorão, por sua vez, é o livro sagrado dos muçulmanos porque esse grupo
religioso, os muçulmanos, o consideram como uma verdade revelada por Deus.
Ambos são mitos. Dependem única e exclusivamente da crença de um grupo de pessoas.
Pelas religiões serem mitos elas não erram? Não necessariamente.
As
religiões são crenças e devem ser respeitadas. Na maioria das vezes elas agem
de modo a valorizar as pessoas, ajudando-as a organizarem suas vidas como seres
humanos dignos. Uma religião só pode ser questionada se, por algum acaso, ela
desrespeitar os seus fiéis em sua integridade material e humana. Nesses casos,
abre-se para a investigação dos comportamentos de algumas de suas lideranças.
Na
medida em que a crença aparece como critério de verdade para os mitos, na
Filosofia, o critério de verdade é a demonstração racional. Algo deve ser
analisado procurando suas causas, para entender os seus efeitos, e assim poder
atuar no mundo.
Um
médico, quando você vai até seu consultório e ele é um profissional sério,
escuta as suas reclamações e dores, pede um exame e a partir desse exame vai
decidir o que fazer para resolver o máximo possível o seu problema. Pela Filosofia
e a medicina serem racionais elas não erram? Não necessariamente.
A
doença em questão pode não ter cura, o exame pode falhar e até o médico pode
falhar, nunca nos esqueçamos que estamos lidando com seres humanos e eles podem
errar feio. Entenda que um médico é muito mais filósofo do que todos os
especialistas em Filosofia que você conhece, inclusive eu. Se um médico ou um filósofo adotar
algum comportamento que desrespeite a integridade material e humana das
pessoas, eles devem serem postos sob investigação social.
Desde
criança aprendi a respeitar e admirar o médico judeu Albert Sabin. Nascido na
cidade de Bialystok em 1906, que na época era parte do território russo e hoje
constituí o da Polônia, mudou-se com sua família para os Estados Unidos no ano
de 1921. Meu pai sempre me contava sua história para exemplificá-lo como modelo
de ser humano. Sabin, mundialmente conhecido por ter desenvolvido a famosa
vacina do “Zé Gotinha” que combate a paralisia infantil (poliomielite), abriu
mão dos direitos de ganhar dinheiro sobre a vacina que criou. Já se considerava
pago pelos institutos de pesquisa que financiaram seu grupo de cientistas e
pretendia exterminar com essa doença no mundo.
Esse
seu comportamento foi tão eficaz que, crianças de países pobres como o Brasil,
puderam ser vacinadas, pois não havendo um custo alto para se pagar os direitos
autorais a ele sobre a vacina essa doença está praticamente eliminada do mundo.
Isso é comprovado na prática. Creio que vocês não conhecem ninguém que tenha
paralisia infantil. Se vocês conhecerem, essa pessoa é idosa, ou seja, de um
tempo em que a vacina ainda não havia sido desenvolvida. É a razão e raciocínio
filosófico a serviço da humanidade.
O
mito depende da crença, a Filosofia, da razão. Quem está com o critério de
verdade correto o mito ou a Filosofia? É possível uma mesma pessoa, ou um grupo
de pessoas, adotarem os dois critérios para suas vidas? Ainda mais, se é
preciso ter fé para o mito ser verdadeiro também é preciso ter fé para a razão
e a Filosofia o serem?
Saudações
filosóficas.
Prof.
Ulisses.
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1ff_Llq8MhbmGVtemu2KG5y_f798HENXk/view?usp=sharing

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