sexta-feira, 31 de julho de 2020


Foto: A Bolinha Azul. Registrada pela missão Apollo 17 (1972). Fonte: Wikipédia.


Assis, 30 de julho de 2020.

Queridos alunos.

Tudo bem com vocês? E as coisas em que pé estão? Tomando os cuidados possíveis contra a pandemia? Na última semana, infelizmente, acompanhamos um crescimento assustador do número de contágios e mortes no Brasil e também na cidade de Assis. Espero que estejam se comportando de modo a protegerem a si mesmos e aos outros.

Na última carta, debatemos sobre a necessidade de se estabelecer uma alimentação natural, sem o uso de agrotóxicos, para a população. Diante desse problema, surgiu um outro da maior importância: como cultivar produtos naturais em grande escala sem o uso de agrotóxicos? É possível?

Sim! É possível! E ainda sem a demagogia barata, por outro lado ex-tre-ma-men-te agressiva, tão divulgada por muitas organizações que se dizem defensoras de uma vida ligada com a natureza. Quero falar com vocês sobre um pesquisador suíço chamado Ernst Götsch.

Durante algum tempo de sua vida, ele trabalhou em uma instituição estatal da Suíça sendo responsável pelo melhoramento genético de plantas. Contudo, uma questão fundamental que fez sobre essa sua profissão, o fez pensar de maneira diferente.

“Será que, em vez de ficar buscando o desenvolvimento de plantas mais fortes para serem expostas com alta produtividade aos grandes maus tratos produzidos pelos agrotóxicos, nos preocupássemos em criar condições ambientais para que elas se desenvolvam bem, não seria mais inteligente?”.

Essa questão, do ponto de vista filosófico, se amparou em um conhecimento que tinha sobre o filósofo Immanuel Kant. Götsch desenvolveu 15 princípios de conduta e para divulgação de suas práticas. O decimo terceiro, ele escreve com as seguintes palavras:

 

“XIII - Todas as espécies - com a exceção do ser humano moderno e da maioria dos animais domesticados por ele adotados – agem baseadas nos princípios do “Imperativo Categórico”, formulado por Immanuel Kant (1724-1804) que diz: ‘Aja de modo que você gostaria que os princípios submetidos a suas interações sejam elevados imediatamente a princípios de leis universais’. (Ou seja, aplicados a você mesmo).”. Ernst Götsch[1]

 

Desse modo, procurou utilizar o Imperativo Categórico proposto por Kant, que é a busca de um comportamento que você quer que os outros tenham para com você e que esse comportamento seja tão bom que possa ser uma lei justa e para todos. Simplificando: fazer aos outros aquilo que você gostaria que fosse feito para você.

Com a intenção de praticar essa ideia, pediu demissão de seu cargo e arrendou terras na Suíça e na Alemanha. Começou a aplicar algumas teorias de Agricultura Ecológica, e assim foi percebendo, a ajuda que as árvores traziam para o solo e a combinação de plantios de raízes, grãos e verduras.

Em 1979 foi para a Costa Rica. Lá, em um projeto que recebia os refugiados nicaraguenses da Revolução Sandinista (revolta do povo da Nicarágua contra o imperialismo norte-americano que se impunha violentamente através do ditador Somoza), ensinou e desenvolveu métodos de agricultura sustentável.

No ano de 1982, muda-se para a Bahia, com o objetivo de recuperar 480 hectares de terra para o cultivo de cacau. A fazenda, que estava completamente desmatada e transformada em pasto, foi o lugar onde continuou desenvolvendo suas técnicas de agricultura. Sem o uso de agrotóxicos e que combinam o plantio de floresta e a existência até de pragas que seriam exterminadas na agricultura convencional.

Em poucos anos, sua fazenda era a mais produtiva da região, tanto em quantidade quanto em qualidade. A praga conhecida como “vassoura de bruxa”, que faliu diversos agricultores de cacau, não destruiu a sua plantação. Na sua concepção, o aparecimento de uma praga não significa que você deve mata-la com veneno, mas fazer um manejo diferente para que ela não prejudique o seu trabalho. A fazenda voltou a ter minas de água, voltaram as chuvas e está praticamente recuperada.

Com o passar do tempo, Götsch batizou suas técnicas de trabalho de “Agricultura Sintrópica”. Em termos gerais, é uma forma de produzir alimentos em que não se perde nenhuma energia criada pela natureza. Para um conhecimento mais aprofundado, sugiro que visitem o site chamado “Agenda Götsch”.

Hoje, em parceria com outros agricultores, está se empenhando em aplicar a Agricultura Sintrópica para produções em grande escala e desenvolvendo tecnologia para isso. Os resultados já são muito satisfatórios a ponto de chamar a atenção da sociedade para uma prática mais ampla.

Com isso, surgem questões que devemos responder para entender quando uma praga atormenta o planeta. Basta eliminá-la com um produto químico? Ou também temos que entender as condições sociais e biológicas que possibilitaram o seu surgimento? Ou as duas coisas?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.



Áudio do texto disponível em:

https://drive.google.com/file/d/15xZJG1uLEIftNgiIoA3HMs0GNHokprIV/view?usp=sharing



sexta-feira, 24 de julho de 2020

Assis, 23 de julho de 2020.

Vincent Van Gogh (1853-1890).Campo de Trigo com Corvos (1890).Fonte: Wikipédia.



Assis, 23 de julho de 2020.

Queridos alunos

            Passamos por mais uma semana sem aulas presenciais. Essa realidade, decorrente da pandemia de COVID-19, acredito que deva ainda continuar por tempo indeterminado. Enquanto isso, vamos nos comunicando por aqui mesmo sem maiores expectativas de retorno.

            E vocês estão bem? Atribulados com as atividades de final de bimestre? Ou conseguido levar na boa? Espero que estejam focados em cuidados com a saúde que, pelo andar da carruagem, serão as práticas eficazes que ainda permanecerão por algum tempo...

            Nesses dias, vi uma notícia que falava sobre o aumento de casos de depressão e de ansiedade durante a pandemia. O Instituto de Psicologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em um estudo atual, detectou o aumento de doenças como a ansiedade e a depressão durante a pandemia. As pessoas que mais adoeceram não foram as que conseguiram ficar isoladas em suas casas, mas as que tinham que sair para trabalhar. O medo de pegar o COVID-19 foi a grande causa que gerou os adoecimentos.

            Na posição de filósofos, comprometidos com as pessoas mais humildes e trabalhadoras, temos que localizar essas informações dentro da discussão filosófica. Um debate filosófico sério busca, primeiramente, as causas sociais, para depois entender as causas ideais com o objetivo de estabelecer resultados satisfatórios.

            Nesses dias difíceis de pandemia, toda a sociedade tem medo de sair de casa, e na grande maioria das vezes só sai por necessidade mesmo. Estamos socialmente inseguros. Vemos autoridades públicas, contaminadas por essa maldita gripe, saindo para o contato com a população sem nem a utilização de uma máscara.

            Por outro lado, os casos de depressão e ansiedade já vinham aumentando muito antes da pandemia. Procuraram a causa desse crescimento na vida moderna e atribulada das grandes e médias cidades. Perceberam que esse problema também estava se agravando nas pequenas cidades, ou seja, em locais em que o ritmo social é muito lento. Logo, não se trata de um problema que se explica somente pela vida acelerada.

            Muitos filósofos afirmam que um dos grandes desejos da Filosofia, se não o maior, é a busca da felicidade. Dentre eles, um destaque honroso para Aristóteles, que nesse ponto específico merece a nossa admiração. Ora bolas! As pessoas estão mais infelizes tanto nas capitais como no interior. Como adotar práticas e filosofias que tornem as pessoas mais felizes?

            O que seria felicidade? E tristeza? Vou partir de uma afirmação, que pode e deve ser muito questionada, para continuar pensando com vocês. A felicidade, e a tristeza, são estados emocionais que se originam do ambiente social em que o ser humano vive e produz a sua sobrevivência.

 Assim, podemos entender que nossas alegrias e tristezas vem de toda uma realidade que vivemos e se manifestam em nossos pensamentos. Em nosso cérebro. Ele libera algumas substâncias que nos fazem sentir bem, quando não temos elas, sua ausência nos desperta tristeza.

            Para complicar mais ainda, os cientistas descobriram a pouco tempo que nós temos um segundo cérebro. Que coisa, não? Se lidar com um cérebro é muito difícil... imaginem com dois! Onde fica em nosso corpo esse “segundo cérebro”?

            Ele é o intestino. Alguém pode se espantar e perguntar: professor, quer dizer que nós pensamos com a barriga? Seria então o “seo” Barriga, personagem do seriado Chaves, um gênio? Enfim... Vocês sabiam que nosso intestino tem neurônios? Por isso as pessoas que, infelizmente sofrem algum acidente e ficam paralisadas do pescoço pra baixo, mantém o funcionamento do intestino. A única coisa nelas que funciona na parte de baixo é o intestino.

            O nosso intestino, ao digerir os alimentos que comemos, produz substâncias que o cérebro distribui pelo corpo. Vou colocar como exemplo duas delas: a dopamina, que nos faz ter a sensação de prazer e felicidade, e a serotonina, que nos ajuda a ter um sono de qualidade e também no humor e felicidade. Prestem atenção! Metade de nossa dopamina vem da alimentação, no caso da serotonina, cerca de 90% dela vem do que costumamos comer.

            Para o intestino produzir na digestão quantidades boas dessas substâncias, por sua natureza, ele prefere que nossa alimentação seja natural. Frutas, legumes, castanhas, carnes e verduras. Sabemos que as plantações são cheias de adubos e agrotóxicos que não deixam mais esses produtos tão naturais quanto deveriam ser. As indústrias fazem isso visando ex-clu-si-va-men-te o lucro, acima de tudo, daquelas que produzem esses venenos para as lavouras.

            Então a felicidade vem da barriga? E a tristeza? Seria da quantidade de química que comemos e não deixamos nosso intestino trabalhar direito? É possível produzir alimentos naturais sem o uso de agrotóxicos? Como cultivar produtos naturais em grande escala sem o uso de agrotóxicos?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1YXOK8qLdlOi_i8qOy7mnaxPDr4lzug-8/view?usp=sharing



sexta-feira, 17 de julho de 2020

Assis, 17 de julho de 2020.

                                            Tripalium. Fonte Wikipédia


Assis, 16 de julho de 2020.

Queridos alunos.

Vocês estão bem? Como passaram a última semana? Estudando bastante? E o trabalho? Tudo nos “conformes”? Que essa carta encontre todos com boa saúde e o equilíbrio necessário para prosseguir na luta constante do dia a dia.

Com muita satisfação, tenho percebido uma maior procura para falar sobre os temas que estamos desenvolvendo nos últimos meses por meio de nossas cartinhas. Recebi algumas respostas, todas muito inteligentes, e até algumas cartinhas sobre Filosofia e Vida. Fico feliz com as ideias que desenvolvem. Fiquem sabendo que, sem sombra de dúvida e nem falso elogio, eu aprendo muito mais com vocês do que vocês comigo.

Também tenho tomado a liberdade de estimular que me escrevam mais cartas sobre Filosofia. Para quem não se sentir à vontade para escrever, peço que falem via áudio do Whatsapp. Não se sintam pressionados em me responder se não quiserem. Incentivo apenas com a intenção de aprender mais com vocês. Tranquilo?

Hoje quero falar um pouco sobre trabalho. Creio que ele seja a parte mais importante de nossa sobrevivência, tanto material quanto espiritual, posto que a existência material é a primeira (e talvez a única) grande luta de todos os seres humanos ao longo de toda a vida.

A palavra trabalho, em sua origem latina, se escreve tripalium. Esse termo horroroso era usado para designar uma máquina grosseira de tortura. Inicialmente, esse mecanismo foi utilizado para ferrar os cavalos. Os romanos tiveram a infeliz ideia de utilizar esse instrumento para torturar os escravos.

O filósofo Aristóteles, esse mesmo que muitas vezes celebramos por sua Filosofia, era um grandessíssimo apoiador da escravidão.  Por ter sido aluno de Platão, não se justifica que ele tenha defendido a escravidão. Platão condenava a escravidão e defendia a igualdade e a dignidade humana. Aristóteles comparava os escravos aos animais e dizia que os dois deveriam ser tratados da mesma forma, ou seja, com a mesma brutalidade. Na atualidade, creio eu, Aristóteles se juntaria aos protetores dos animais. Se mudaria de ideia sobre a escravidão... tenho cá minhas dúvidas.

Na nossa sociedade liberal, segundo o filósofo Karl Marx, o trabalho escravo foi superado. Em seu lugar temos o trabalho assalariado. Essa forma se manifesta de diversas maneiras... trabalho por comissão, por produtividade, enfim, a nossa força de trabalho é a única forma de sobrevivência dos pobres. Não é todo mundo que é empresário ou milionário para viver do trabalho dos outros.... da exploração! Afinal, é melhor ser empregado ou trabalhador autônomo do que escravo, né?

Alguns dias atrás uma notícia muito triste foi divulgada nacionalmente. Uma doméstica estava oferecendo seus serviços em troca somente de comida. Isso mesmo! De comida! Quando foi questionada pelo jornalista, disse que era a única forma que encontrou de colocar alimento em sua casa, pois por ser considerada velha as pessoas não queriam mais contratar ela.

Em tempos de pandemia de COVID-19, sua situação havia deteriorado demais, por ter problemas de saúde agravados pela idade e pelos maus tratos sofridos durante toda a sua vida. Sem saída, foi a forma que conseguiu para tentar um serviço.

Ainda existe trabalho escravo no mundo? O que uma pessoa é capaz de fazer, desesperada pela fome, e pelas necessidades dos filhos e netos? A sociedade não possui meios para alimentar todas as pessoas? Qual é a saída dos trabalhadores para superar essas crises?

 

Saudações filosóficas e sociológicas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1aPivcgcmw3KANFwy_vq1iW7uRWl_1AbC/view?usp=sharing


sexta-feira, 10 de julho de 2020

Assis, 9 de julho de 2020.

                            Albert Sabin (1906 - 1993) Fonte: Wikipédia



Assis, 9 de julho de 2020.

 

Queridos alunos


Como essa pandemia de COVID-19 só aumenta, nós ainda permanecemos afastados da escola, afinal, é um método mais ou menos seguro que a Organização Mundial da Saúde (OMS) encontrou na prática para, por enquanto, combater essa moléstia. Cabe uma reflexão. A OMS, entidade financiada para atuar em situações como a dessa calamidade, manda você ficar em casa para evitar que que a doença se espalhe. E se você tivesse que enfrentar a doença? Como será que a OMS se posicionaria?

E vocês? A quantas andam? Estão se cuidando? Olhem, sempre é bom relembrar, pois muitos ainda me perguntam quais são as atividades de Filosofia para realizarem como meio para atingir as notas. As atividades são a leitura e/ou a escuta dessas cartinhas. Fiquem à vontade para me responderem ou não. Se, por alguma resolução astral dos MITOS, vocês não fizerem nada disso durante esses dias de aulas à distância, resolveremos pacientemente quando as aulas voltarem. Tá certo?

Por falar em MITO, esse é um tema amplamente discutido na história da Filosofia. O significado dessa palavra, de uma forma bem resumida, se trata de qualquer história que pode ser contada ou narrada. Essas histórias que venho contando pra vocês, em grande parte, podem ser tidas como mitos! Que legal! Isso já desmonta a ideia de que os mitos estão confinados na antiguidade.

Vamos lembrar um pouquinho da diferença entre mito e Filosofia? O mito é toda a crença que depende única e exclusivamente da fé de uma pessoa para ser considerado verdadeiro.

A Bíblia é o livro sagrado dos cristãos, porque esse grupo religioso (os cristãos), a consideram como uma verdade revelada por Deus e seus profetas. O Alcorão, por sua vez, é o livro sagrado dos muçulmanos porque esse grupo religioso, os muçulmanos, o consideram como uma verdade revelada por Deus. Ambos são mitos. Dependem única e exclusivamente da crença de um grupo de pessoas. Pelas religiões serem mitos elas não erram?  Não necessariamente.

As religiões são crenças e devem ser respeitadas. Na maioria das vezes elas agem de modo a valorizar as pessoas, ajudando-as a organizarem suas vidas como seres humanos dignos. Uma religião só pode ser questionada se, por algum acaso, ela desrespeitar os seus fiéis em sua integridade material e humana. Nesses casos, abre-se para a investigação dos comportamentos de algumas de suas lideranças.

Na medida em que a crença aparece como critério de verdade para os mitos, na Filosofia, o critério de verdade é a demonstração racional. Algo deve ser analisado procurando suas causas, para entender os seus efeitos, e assim poder atuar no mundo.

Um médico, quando você vai até seu consultório e ele é um profissional sério, escuta as suas reclamações e dores, pede um exame e a partir desse exame vai decidir o que fazer para resolver o máximo possível o seu problema. Pela Filosofia e a medicina serem racionais elas não erram? Não necessariamente.

A doença em questão pode não ter cura, o exame pode falhar e até o médico pode falhar, nunca nos esqueçamos que estamos lidando com seres humanos e eles podem errar feio. Entenda que um médico é muito mais filósofo do que todos os especialistas em Filosofia que você conhece, inclusive eu. Se um médico ou um filósofo adotar algum comportamento que desrespeite a integridade material e humana das pessoas, eles devem serem postos sob investigação social.

Desde criança aprendi a respeitar e admirar o médico judeu Albert Sabin. Nascido na cidade de Bialystok em 1906, que na época era parte do território russo e hoje constituí o da Polônia, mudou-se com sua família para os Estados Unidos no ano de 1921. Meu pai sempre me contava sua história para exemplificá-lo como modelo de ser humano. Sabin, mundialmente conhecido por ter desenvolvido a famosa vacina do “Zé Gotinha” que combate a paralisia infantil (poliomielite), abriu mão dos direitos de ganhar dinheiro sobre a vacina que criou. Já se considerava pago pelos institutos de pesquisa que financiaram seu grupo de cientistas e pretendia exterminar com essa doença no mundo.

Esse seu comportamento foi tão eficaz que, crianças de países pobres como o Brasil, puderam ser vacinadas, pois não havendo um custo alto para se pagar os direitos autorais a ele sobre a vacina essa doença está praticamente eliminada do mundo. Isso é comprovado na prática. Creio que vocês não conhecem ninguém que tenha paralisia infantil. Se vocês conhecerem, essa pessoa é idosa, ou seja, de um tempo em que a vacina ainda não havia sido desenvolvida. É a razão e raciocínio filosófico a serviço da humanidade.  

O mito depende da crença, a Filosofia, da razão. Quem está com o critério de verdade correto o mito ou a Filosofia? É possível uma mesma pessoa, ou um grupo de pessoas, adotarem os dois critérios para suas vidas? Ainda mais, se é preciso ter fé para o mito ser verdadeiro também é preciso ter fé para a razão e a Filosofia o serem?

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1ff_Llq8MhbmGVtemu2KG5y_f798HENXk/view?usp=sharing


 


sexta-feira, 3 de julho de 2020


Assis, 02 


             Tempos Modernos (1936) - Charlie Chaplin (1889 - 1977) Fonte: Wikipédia

Assis, 02 de julho de 2020.

Queridos alunos.

Espero que essa carta chegue a todos encontrando-os com muita saúde e disposição, para conduzir nossas responsabilidades da melhor maneira possível. Vocês estão bem? Tomando os cuidados necessários com a saúde, a família e a comunidade? Qualquer coisa já sabem... Tamo junto!

Prometi a vocês que o tema, dessa e das próximas cartas, seria a questão do amor. Contudo, também havia advertido, que refletiria sobre algumas outras questões caso fosse preciso. Então é isso! Achei conveniente debater uma outra questão tão importante quanto a que vínhamos explorando. Hoje vamos falar de tecnologia.

Alguém pode estar questionando... mas professor, por que o senhor resolveu falar sobre tecnologia? Essa decisão partiu de um problema que estamos enfrentando nas nossas relações digitais que se intensificaram nos últimos meses. A comunicação via Whatsapp.

Na última semana, como bem perceberam, vocês foram impedidos de publicar comentários nos grupos digitais das salas que pertencem. Essa foi uma decisão, diga-se de passagem provisoriamente acertada, coletiva adotada pelos professores e pela direção da escola por meio de uma reunião realizada na internet.

Essa postura da escola se justificou pelo fato de alguns incidentes ocorridos em alguns grupos. Eles foram invadidos com postagens sem sentidos educacionais. Não sabemos quem foi ou até se os invasores sejam ou não alunos da escola. Para nós, filósofos do Léa Rosa, tanto faz quem tenha feito isso. Não estamos aqui para julgar, mas para filosofar.

Diante dessa situação, resolvi fazer um breve relato sobre a história do desenvolvimento tecnológico, com uma reflexão sobre o uso dos recursos digitais. Acredito que isso pode ter importância para toda a comunidade escolar: estudantes, professores e gestores (direção).

Há um estudioso, o economista e engenheiro chamado Klaus Schwab, que vem palestrando sobre a tecnologia nas últimas décadas. Esse cidadão foi quem montou e preside o Fórum Econômico Mundial, que acontece todo começo de ano na cidade de Davos na Suíça. Ele reúne presidentes, empresários e jornalistas do mundo todo. Esse senhor é um alemão filho de uma família de industriais.

Como preparação para o encontro do Fórum de 2016, cujo tema era “Para dominar a Quarta Revolução Industrial”, Schwab escreveu um livro chamado “A Quarta Revolução Industrial”. Nesse livro, o autor faz algumas afirmações muito interessantes.

Nesse momento, solicitando a ajuda dos professores de História, mostro para vocês a visão histórica que Schwab apresentou. Ele identifica como a Primeira Revolução Industrial a que aconteceu na Inglaterra, no ano de 1760, que implementou o uso da máquina a vapor e do carvão mineral nas indústrias de tecidos, na indústria têxtil.

A Segunda Revolução Industrial é colocada como a que ocorreu na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, em 1870, que inovou com o uso da eletricidade e a linha de montagem na produção das grandes indústrias. Já a Terceira Revolução Industrial se realiza em escala mundial, datada entre os anos 1960 e 1970, com a prática de tecnologias digitais e internet para a produção industrial e a comunicação rápida que esses recursos possibilitam.

A Quarta Revolução Industrial, também dada em escala mundial, se inicia e está em andamento desde a virada do milênio (anos 2000). Suas características são um ambiente com internet mais rápida e a criação de máquinas inteligentes, ou seja, que são capazes de tomarem decisões sozinhas. Os famosos robôs.

Dessa forma, a indústria não precisa mais de empregados para manipular as máquinas. Os carros e o transporte em geral não seriam mais dirigidos por motoristas humanos, mas por programas e aplicativos digitais. Enfim, está em andamento uma grande mudança em nossa sociedade.

Isso desperta os mais variados debates sociais. Quais seriam as profissões do futuro/presente? E o desemprego? Uma consequência geral de toda Revolução Industrial é o desemprego em massa, historicamente, isso também aconteceu nas outras Revoluções.

Contudo, meus queridos, o desemprego não deve ser vinculado com o desenvolvimento tecnológico. Devemos sempre nos empenhar que a sociedade fique o mais automatizada produtivamente possível. O desemprego está ligado decisivamente, também historicamente, pelas formas políticas como as sociedades se organizam.

Agora, pensemos juntos, se formos localizar o Brasil nessas mudanças tecnológicas, nós estamos ainda nos anos 1970! Olhem só! Cinquenta anos atrasados! Embora já tenhamos indústrias com máquinas controladas por robôs, o que está popularizado é apenas a comunicação, em especial pela internet e via Whatsapp.

E ainda mais! Nessa situação toda, em que deveríamos nos preocupar em gerar politicamente mais empregos e robotizar nossos trabalhos, temos que nos preocupar com o uso indevido da pouca tecnologia que temos? Do Whatsapp? Se invadimos ou não um grupo de uma classe de uma escola em um bairro periférico? Que tal usarmos nossas energias, nosso tempo e nosso conhecimento que temos para, em vez de invadir um grupo, fazermos nossos próprios aplicativos? Nossos próprios games? Temos condições totais para isso.

E vocês o que pensam? Foram quatro Revoluções Industriais mesmo? Ou elas fazem parte de uma única Revolução Industrial em andamento? Estariam os grandes empresários do mundo preocupados de verdade com a popularização tecnológica? Ou não? E o que é melhor: nos unirmos por mais empregos, saúde e desenvolvimentos tecnológicos ou ficar com “gracinha” no Whatsapp?

Saudações Filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio do texto disponível em:

https://drive.google.com/file/d/19XRrXAmuQwoph3r_bP0_zRgpqeiVMIi_/view?usp=sharing


Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...