Assis, 18 de junho de 2020.
Queridos alunos.
Como podem perceber, ainda estamos separados em razão da interminável, e por enquanto mais mortal, epidemia de COVID-19. Por isso, as aulas e os trabalhos continuam chegando para vocês pela via digital. As nossas cartas, por sua vez, também são enviadas por essa mídia, mas são apenas uma opção de leitura e de escuta.
Vi alguns de vocês pelas ruas nos últimos dias, conversei pessoalmente com uns, e com outros recebi contatos particulares por meio do Whatsapp. Confesso que fiquei bastante emocionado com as palavras de incentivo e respeito, ditas em agradecimento pelas nossas cartas.
Nessa semana, quando comecei a preparar essas palavras que agora distribuo para vocês, pensei em desenvolver um tema de Filosofia, que chama a atenção das pessoas e que as movimentem em busca de algo melhor para elas. Com esse pensamento, entrei em uma página de internet e li diversas notícias sobre as manifestações contra o racismo, sobretudo, as revoltas contra o assassinato do negro norte americano George Floyd.
Diversas pessoas pelos Estados Unidos e pelo mundo se revoltaram contra o seu assassinato, que foi feito pelas forças policiais de sua cidade. Essas revoltas, tiveram gigantescas manifestações pelas ruas de Minneapolis e resultaram em um incêndio que destruiu a delegacia local. Enfim, não esperemos flores e processos judiciais contra uma violência dessa que os negros sofrem a milênios pelos quatro cantos do mundo.
Uma coisa me chamou a atenção. Qual é o fator central que mobiliza tantas pessoas, de maneira coletiva, a reagirem contra o racismo? À essa questão respondi que o excesso de opressão desperta, em algum momento, uma reação à altura.
E se pensarmos, analisando o tanto que os negros são oprimidos por nossa sociedade, essa reação nem pode ser chamada de violenta. Violência é o que os negros sofreram, sofrem e sofrerão; ainda mais nesse ambiente em que as pessoas são discriminadas por sua classe social, cor de pele e orientação sexual.
Aí me surgiu outra pergunta, e a resposta dela foi a que motivou a escrever essa carta para vocês. Que sentimento move grandes grupos de pessoas a combaterem uma injustiça social, nesse caso, o racismo? Sabemos que o racismo é uma página sempre desgraçadamente atual em nossa cultura, ainda mais no Brasil que afirmo seguramente ser um dos países mais racistas do mundo (se não for o mais). Vide a execução do jovem negro carioca João Pedro com 70 tiros, dentro de sua casa, completamente desarmado e sem oferecer nenhuma resistência.
Então, a opressão contra os negros responde apenas parcialmente a causa da revolta. Essas revoltas já aconteceram aos milhares, mas pela nossa história ser escrita por uma elite branca, a maioria das pessoas não conhece nem 10% do total delas. O sentimento que empurra as pessoas a lutarem por uma vida e um mundo mais justo é o amor.
O racismo também é um tema de Filosofia, mais próximo da Sociologia, pois essas duas disciplinas tratam de economia política. Ele estará presente nessas reflexões que faremos sobre o amor, entretanto, gostaria que algum professor ou estudante negro fizesse uma carta sobre ele. Não que um branco não possa fazer, mas gostaria de ouvir as vozes de quem sofre o racismo em sua pele.
Segundo Aristóteles, em um livro chamado Metafísica, os primeiros gregos que trabalharam o tema do amor como um sentimento que reúne as pessoas para avançar para algo melhor foram o poeta Hesíodo e o filósofo Parmênides. Nomes bonitos esses, não acham? Quando tiverem filhos, ou mais filhos, ficam essas três dicas de nomes: Aristóteles, Hesíodo e Parmênides. Kkkkkkkk!
E vocês? Acham que apenas o amor move as pessoas? O ódio também não move? Ou, como debatemos, somente o amor une as pessoas para buscar o melhor delas e muitas vezes de toda uma sociedade?
Saudações filosóficas.
Prof. Ulisses
PS: Ah! Ia mês esquecendo, o tema do amor continuará em nossas próximas cartas. Talvez eu intercale uma ou outra carta com outro tema, mas como ele é longo e temos muitos filósofos que o refletiram, reaparecerá novamente. Até a próxima!
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