Assis, 12 de junho de 2020.
Queridos alunos.
Passamos por mais uma semana sem aulas presenciais. Vocês têm me surpreendido muito bem, pela dedicação que vêm demonstrando nas aulas on line que o Estado veicula pelo aplicativo do Centro de Mídias e pelo site You Tube. Sobretudo, não posso deixar de destacar, a receptividade e o carinho que me demonstram em virtude de nossas cartinhas sobre Filosofia. Meus parabéns! E obrigado...
Vocês estão bem? Conseguindo se virar nessa devastadora pandemia? Fiquem sabendo que, qualquer coisa, podem contar comigo. Se não conseguir ajudar da maneira mais adequada e suficiente, estarei disponível para pelo menos tentar amenizar ou encontrar alguém que ajude da melhor forma possível.
Poucas pessoas sabem o quanto é difícil ter que assistir aulas em um período do dia, no outro fazer as tarefas que os professores pedem e ao mesmo tempo trabalhar e ter as responsabilidades que vocês têm. Repetindo, com medo de ser repetitivo, mas sendo repetitivo: podem contar comigo.
Hoje quero refletir nessa cartinha sobre a questão dos sonhos. Não estou falando das vontades, dos projetos e das necessidades que temos para nossas vidas, mas daquilo que acontece em nossas cabecinhas enquanto estamos dormindo e que, de vez em quando, lembramos depois que acordamos. Aquelas coisas que, contam histórias boas ou os chamados pesadelos, que a mente nos mostra no período do sono.
Os sonhos tem uma longa tradição na história do desenvolvimento humano. Várias pessoas afirmam que os sonhos nos alertam sobre os acontecimentos do futuro. Lembram do episódio bíblico do José do Egito quando ele interpretou um sonho do Faraó? O Faraó era o comandante supremo do governo do Egito, e com o auxílio da interpretação que o José fez do seu sonho, conseguiu salvar a população do Egito de uma grande seca e fome que castigou essa pátria por sete longos anos.
Há quem diga que os sonhos não antecipam o futuro, mas que manifestam em suas histórias algum medo, desejo ou trauma que a pessoa tem mal resolvida na sua mente. Esses medos, desejos e traumas podem ter ocorrido em qualquer parte da vida, desde quando bebê até quando o sonhador já tem uma idade em que se é consciente. Para quem pensa assim, o sonho é um alerta para a pessoa resolver isso que ficou mal resolvido em seu passado e ter uma vida mental mais tranquila.
Dessa forma, a interpretação do sonho não deve ser feita pelo José do Egito ou por alguma mente abençoada e iluminada, mas por você mesmo. Quem interpreta o que quer dizer seu sonho é você mesmo! Se você não conseguir interpretar, o fato de não conseguir interpretar já quer dizer muita coisa. Essa muita coisa é algo que você mesmo deve tentar descobrir. Como? Na qualidade de filósofos, cabe a nós mesmos buscarmos os auxílios corretos para que nós mesmos possamos interpretar os nossos sonhos.
O grande filósofo francês, René Descartes (o matemático que inventou a geometria analítica que vocês tanto adoram e estudam nas aulas de matemática do ensino médio), condicionou sua atividade filosófica pela interpretação que fez de três sonhos que teve em uma única noite. Isso mesmo! Três sonhos em uma única noite! Noites agitadas essas dos filósofos, não? No primeiro sonho ele está caminhando pela rua e um forte vento o empurra para a porta de uma Igreja. Ali aparece uma pessoa avisando ele que alguém teria um melão para lhe dar de presente. Descartes acorda assustado, com uma dor forte no lado esquerdo do peito e faz uma oração à Deus pedindo que lhe afaste todo pesadelo possível, rogando por uma boa noite de sono.
Depois de algumas horas, Descartes pega no sono novamente e tem o seu segundo sonho. Nesse ele imagina ouvir um forte estrondo de trovão e vê uma chuva de faíscas no seu quarto. Um pouco mais, digamos assim, duvidoso, o filósofo readormece novamente.
No terceiro sonho, Descartes está diante de uma mesa em que consegue identificar dois livros: um dicionário e um livro de poesia, cujo título é Corpus Poetarum. Ainda no sonho, lê nesse livro a questão: “Que caminho seguirei na vida?” e uma pessoa lhe mostra algumas poesias em que estão realçadas as palavras “sim” e “não”.
Nessa época, Descartes era um militar que estava em combate em diversas guerras do século XVII que arrasavam com os europeus pobres. Ele interpretou essa sequência de sonhos como um chamado de Deus para a busca da verdade por meio da Filosofia. A partir dessa sua interpretação, mudou completamente de vida dedicando-se à Filosofia realizando diversos avanços na reflexão filosófica e matemática.
E vocês têm sonhado? Sonham muito? Ou sonham pouco? Como vocês interpretam o significado de seus sonhos? Seja qual for o sentido que conseguem perceber nos sonhos, guardem para vocês mesmos e se esforcem por modificar as suas vidas para melhor. Na medida em que puderem ajudar os outros a melhorarem, também o façam, pois não podemos desistir dos valores coletivos dos seres humanos.
Saudações filosóficas.
Prof. Ulisses.
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