Assis. 5 de junho de 2020.
Queridos alunos,
Que durante esses dias tão complicados para nosso povo, em que agoniza e morre aos milhares sem um copo com água para amenizar suas dores, vocês estejam bem e tomando todos os cuidados possíveis no combate contra a pandemia de COVID-19. Nunca se esqueçam de cuidarem de vocês mesmos e do máximo de pessoas que conseguirem, pois quem cuida do pobre é o pobre mesmo. E todos nós não temos os recursos materiais suficientes para todas as nossas necessidades humanas.
Ultimamente, temos visto a preocupação e o medo, em escala mundial, com a morte. Ela, no entendimento de muitas pessoas, é o que dá sentido à vida. Se fossemos imortais, talvez por preguiça e comodidade, não teríamos o empenho em fazer as coisas da maneira mais correta possível, posto que haveria a eternidade toda para nos corrigir. Por isso, vale fazermos uma breve reflexão sobre a morte, com o amparo de nosso filósofo antigo já parcialmente conhecido: Sócrates.
Na realidade, meus amigos, embora Sócrates tenha filosofado sobre a questão da morte, não vou falar sobre o que ele exatamente pensou, mas fazer uma reflexão sobre o seu assassinato. Isso mesmo! Sócrates foi brutalmente morto pelo governo da cidade-estado de Atenas. Como isso aconteceu? É exatamente nesse ponto que entra a nossa Filosofia.
Sócrates, na data de sua morte (399 a.C), contava com setenta anos e era um soldado aposentado sobrevivente da Guerra do Peloponeso (nome feio esse, não?). Seu salário de aposentado era muito curto, ou seja, desde a antiguidade os aposentados são desvalorizados pelo Estado. Isso nos permite dizer que Sócrates, como nós, também era pobre. Ainda assim, ensinava Filosofia gratuitamente, pois achava indigno ensinar os outros a pensar cobrando dinheiro.
Isso não quer, de maneira nenhuma, que Sócrates desvalorizava o dinheiro ou o seu ofício de Filósofo; mas sim que praticava o que pensava, afirmando que ricos e escravos devem ter o mesmo direito de acesso à educação filosófica. Acreditava que pela educação as pessoas teriam condições de melhorarem suas vidas, tanto do ponto de vista filosófico como do material.
Certo dia, alguns de seus colegas que filosofavam publicamente junto com ele, foram ao Oráculo de Delfos para perguntar quem era o homem mais sábio do mundo. Lá tiveram a resposta de que esse homem era justamente o Sócrates. Esse Oráculo, queridos amigos, era um templo em que as pessoas faziam previsões para o futuro e respondiam as dúvidas e perguntas da população. Eram espécies de profetas, nos tempos passados; contudo, nos tempos atuais, essa posição foi tomada pelo site Google. É só perguntar que o Google responde na hora! Kkkkkkk.
Sócrates, que tinha como princípio o “Só sei que nada sei.”, não acreditou ser o homem mais sábio do mundo. Considerava que os sábios eram alguns escritores e militares, que ocupavam os cargos políticos de Atenas do seu tempo. No entanto, ao questionar essas pessoas perante o povo, elas mostraram serem verdadeiras antas. Aprendam uma coisa, só tem uma coisa que os burros não conhece: o seu limite. Nesse momento, Sócrates percebeu que era mais inteligente do que elas, pois na medida em que achavam serem sabichonas; o filósofo “sabia que nada sabia”. Essa foi a sua vantagem filosófica e o seu passaporte para a morte.
Depois dessa humilhação pública, armaram uma acusação falsa contra Sócrates. Foi julgado por corromper a juventude e blasfemar contra a religião. Em sua sentença, foi dito que ele ou era forçado a mudar de cidade e nunca mais voltar à Atenas ou teria que morrer. Como Sócrates se achava muito velho para ter que lutar pela sobrevivência em outro lugar, preferiu a morte. Sua execução foi por meio de um chá de cicuta, planta que se ingerida pelo ser humano causa um envenenamento mortal.
Qual foi o erro de Sócrates? Corromper a juventude? Blasfemar contra a religião? Não aceitar morar em outra cidade? Nada disso, meus amigos, afinal Sócrates não fez nada do que foi jogado na sua capivara. E se a vida é difícil para um idoso pobre em sua própria cidade, imaginem em outro lugar?
Sócrates não errou! Quem errou foram os outros. Sócrates questionou pessoas que eram ricas e boas em suas profissões. O problema, nessa organização econômica, social e política; é colocar pessoas ricas e profissionais bem sucedidas nos cargos de políticos. Político tem poder.
Não é por ser um bom escritor, que a pessoa será uma boa governante para ricos e pobres, ela já faz muito em escrever bem. Não é por ser uma boa médica, que a pessoa será uma boa política para ricos e pobres, ela já faz muito em medicar bem. Não é por ser um bom militar, que a pessoa será uma boa política para ricos e pobres, ela já faz algo em guerrear bem.
Sócrates questionou as pessoas certas, que estavam nos lugares certos, pois esses políticos estavam ali para perseguir e prender os pobres. Na antiguidade de Atenas, o bom político era aquele que tornava o rico mais rico, o pobre mais pobre e que matava qualquer pessoa que fizesse algo pelos pobres. Como Atenas era injusta nessa época, não acham?
Saudações filosóficas.
Prof. Ulisses.
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