Título: Saudade (1899) Almeida Júnior (1850-1899). Fonte: Wikipedia.
Assis,
08 de setembro de 2020.
Queridos
alunos.
Como
passaram a semana? Se cuidando para não contraírem COVID-19? Vocês estão bem? E
as coisas como vão? Estão conseguindo dar conta das tarefas da escola? De
coração aberto e, com toda a sinceridade do mundo, espero que estejam bem
juntamente com todos seus amigos e famílias.
Hoje,
de maneira muito especial, gostaria de falar sobre uma coisa excessivamente
humana. O fato de sermos humanos, e a todo momento passarmos por mudanças (quer
gostemos ou não), faz com que sempre estejamos inquietos e insatisfeitos.
Lembramos o passado, vivemos no presente e projetamos o futuro. E assim caminha
a humanidade.
Vamos
refletir um pouquinho sobre as lembranças. Elas, necessariamente, fazem nossa
mente recuperar o passado. Aqueles acontecimentos já se foram e não tem como a
gente mudar.
Quando
recordamos de nossa infância, por exemplo, o que retorna para a nossa mente são
lembranças que gostaríamos de reviver novamente ou que preferiríamos esquecer.
Lembrar de um trauma não é algo bom, mas às vezes é preciso, para resolvê-lo e,
também, para que ele não se repita em outros momentos da vida. Recordar acontecimentos
felizes, como uma brincadeira ou uma boa amizade, também é necessário. Isso nos
faz sentir saudades de algo.
E
é exatamente sobre saudades que gostaria de pensar com vocês. Alguém saberia
definir, em algumas palavras, o que entende pessoalmente por saudade? Por que
refletir sobre a saudade? A saudade, assim como um trauma, não é algo ruim que
sentimos em relação ao passado?
Em
todas as nossas aulas, tanto as presenciais quanto esses diálogos que mantemos
por cartas, procurei manter as nossas relações de forma muito franca e
verdadeira. Vejo que vocês também fazem isso, e podem acreditar, eu me sinto
muito grato por isso. Segredinho nosso, vou chamá-lo de segredo número 1, eu
não sei responder essas perguntas sobre saudade.
Como
assim professor? Não sabe? Não sei! E agora entra o nosso segredo número 2...
eu não sei responder todas as perguntas que faço pra vocês. Não sei respondê-las
e sinto orgulho de não saber. Por um princípio muito básico. Pergunto o que não
sei, se já sei, não preciso perguntar. E se, concordando o que já falamos sobre
Sócrates, só sei que nada sei tenho em mim todas as perguntas do mundo.
Talvez
vocês possam estar questionando... mas professor, então toda vez que
perguntamos algo para o senhor, as coisas que falou, o senhor não sabia? A isso
respondo como sempre respondi, de fato não sabia, mas desconfiava que eram
certas. E se desconfiava que eram certas também desconfiava que eram erradas.
E
é justamente aí que entra uma característica intimamente ligada com os
filósofos e com a Filosofia. Um professor de Filosofia, minimamente pensante,
não ensina a responder, mas a questionar. Isso o impede de responder a algo?
Evidentemente que não, contudo, a arte filosófica está em questionar.
Todas
perguntas e as respostas são filhas de seu tempo histórico e das relações
econômicas e ideológicas que determinado período da história apresenta. Por
isso, são legítimas e as pessoas usam sua capacidade racional para refazer
perguntas e repostas em tempos diferentes.
Então,
repetindo as perguntas, alguém saberia definir, em algumas palavras, o que
entende pessoalmente por saudade? Por que refletir sobre a saudade? A saudade,
assim como um trauma, não é algo ruim que sentimos em relação ao passado?
Acrescentando mais uma. Vocês sentirão saudades das coisas que estão
acontecendo hoje? Se acreditarem que sim, do que vocês acham que terão saudades?
Vou
propor um exercício filosófico, desde já opcional vocês façam se quiserem, que
pergunta, ou perguntas, vocês gostariam de fazer?
Saudações
filosóficas.
Prof.
Ulisses
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1bLRyR_4UD0e2dDBKRdmktmRR6qgUje3h/view?usp=sharing

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