sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Assis, 08 de setembro de 2020.


        Título: Saudade (1899) Almeida Júnior (1850-1899). Fonte: Wikipedia.


Assis, 08 de setembro de 2020.

Queridos alunos.

Como passaram a semana? Se cuidando para não contraírem COVID-19? Vocês estão bem? E as coisas como vão? Estão conseguindo dar conta das tarefas da escola? De coração aberto e, com toda a sinceridade do mundo, espero que estejam bem juntamente com todos seus amigos e famílias.

Hoje, de maneira muito especial, gostaria de falar sobre uma coisa excessivamente humana. O fato de sermos humanos, e a todo momento passarmos por mudanças (quer gostemos ou não), faz com que sempre estejamos inquietos e insatisfeitos. Lembramos o passado, vivemos no presente e projetamos o futuro. E assim caminha a humanidade.

Vamos refletir um pouquinho sobre as lembranças. Elas, necessariamente, fazem nossa mente recuperar o passado. Aqueles acontecimentos já se foram e não tem como a gente mudar.

Quando recordamos de nossa infância, por exemplo, o que retorna para a nossa mente são lembranças que gostaríamos de reviver novamente ou que preferiríamos esquecer. Lembrar de um trauma não é algo bom, mas às vezes é preciso, para resolvê-lo e, também, para que ele não se repita em outros momentos da vida. Recordar acontecimentos felizes, como uma brincadeira ou uma boa amizade, também é necessário. Isso nos faz sentir saudades de algo.

E é exatamente sobre saudades que gostaria de pensar com vocês. Alguém saberia definir, em algumas palavras, o que entende pessoalmente por saudade? Por que refletir sobre a saudade? A saudade, assim como um trauma, não é algo ruim que sentimos em relação ao passado?

Em todas as nossas aulas, tanto as presenciais quanto esses diálogos que mantemos por cartas, procurei manter as nossas relações de forma muito franca e verdadeira. Vejo que vocês também fazem isso, e podem acreditar, eu me sinto muito grato por isso. Segredinho nosso, vou chamá-lo de segredo número 1, eu não sei responder essas perguntas sobre saudade.

Como assim professor? Não sabe? Não sei! E agora entra o nosso segredo número 2... eu não sei responder todas as perguntas que faço pra vocês. Não sei respondê-las e sinto orgulho de não saber. Por um princípio muito básico. Pergunto o que não sei, se já sei, não preciso perguntar. E se, concordando o que já falamos sobre Sócrates, só sei que nada sei tenho em mim todas as perguntas do mundo.

Talvez vocês possam estar questionando... mas professor, então toda vez que perguntamos algo para o senhor, as coisas que falou, o senhor não sabia? A isso respondo como sempre respondi, de fato não sabia, mas desconfiava que eram certas. E se desconfiava que eram certas também desconfiava que eram erradas.

E é justamente aí que entra uma característica intimamente ligada com os filósofos e com a Filosofia. Um professor de Filosofia, minimamente pensante, não ensina a responder, mas a questionar. Isso o impede de responder a algo? Evidentemente que não, contudo, a arte filosófica está em questionar.

Todas perguntas e as respostas são filhas de seu tempo histórico e das relações econômicas e ideológicas que determinado período da história apresenta. Por isso, são legítimas e as pessoas usam sua capacidade racional para refazer perguntas e repostas em tempos diferentes.

Então, repetindo as perguntas, alguém saberia definir, em algumas palavras, o que entende pessoalmente por saudade? Por que refletir sobre a saudade? A saudade, assim como um trauma, não é algo ruim que sentimos em relação ao passado? Acrescentando mais uma. Vocês sentirão saudades das coisas que estão acontecendo hoje? Se acreditarem que sim, do que vocês acham que terão saudades?

Vou propor um exercício filosófico, desde já opcional vocês façam se quiserem, que pergunta, ou perguntas, vocês gostariam de fazer?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1bLRyR_4UD0e2dDBKRdmktmRR6qgUje3h/view?usp=sharing

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