sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Assis, 7 de agosto de 2020.

 

                          O cérebro. Fonte: Pixabay


Assis, 7 de agosto de 2020.

Queridos alunos.

Tudo bem com vocês? Estão se cuidando bem? Como foram as notas do segundo bimestre? E o pessoal do EJA? Conseguiram terminar a série? Espero que as coisas estejam ocorrendo dentro do planejado, se for possível falar de planos dentro da pandemia que não seja a sobrevivência, sempre tão difícil para nós que somos trabalhadores.

Venho dialogando com vocês nos últimos meses por meio das cartas e do Whatsapp. Na maioria das vezes, são sobre temas de Filosofia, das Ciências humanas e do pensamento em geral. Afinal, a capacidade de pensar com lógica de maneira organizada é uma característica muito particular do ser humano enquanto ser social.

Se vocês repararem em todas as nossas aulas, nas cartas anteriores, nessa que está lendo e nas próximas; os temas que debatemos (e estamos debatendo) nos incentivam a pensar. Questões sociais e filosóficas como o preconceito, o amor, o trabalho, a pandemia, a ética e todas as outras, muitas vezes, nos fazem pensar.

E por falar em pensamento, entendendo ele como algo que nasce da relação das pessoas com a sua sobrevivência concreta (o trabalho), queria começar a conversar sobre o órgão humano que organiza as ideias. Ele mesmo... do cérebro!

Antes de qualquer debate sobre a constituição física ou biológica, do cérebro, uma coisa tem que ficar bem compreendida. Trata-se de um órgão do corpo humano. Como qualquer outro, ele foi socialmente formado, ou seja, na relação de nossos antepassados com a sociedade e com a natureza na luta pela sobrevivência.

Nosso cérebro nem sempre foi da forma como é hoje. Pelo mecanismo da seleção natural, ele foi se desenvolvendo nessas relações sociais e biológicas, em que os mais adaptados às situações sociais foram sobrevivendo. Ele vive em constante mudança, de modo a sempre se adaptar ao contexto social em que está inserido. Dessa forma, o cérebro não é uma criação do céu, mas algo que está sempre em movimento de transformação e adaptação ao meio social e natural.

Há um filósofo estadunidense chamado Daniel Dennett. Seus estudos afirmam que nosso cérebro vem se transformando, ao longo da história, justamente pelas ações intencionais que as pessoas tem com o seu ambiente social. Suas necessidades de trabalho e sobrevivência.

Por exemplo, nos dias de hoje, vão sobreviver à pandemia de COVID-19 as pessoas que se preservarem intencionalmente do vírus ou as que tiverem a sorte de se curarem em caso de contágio. Nesses casos, como podem perceber, não é inteligente contar com a sorte...

Contudo, do ponto de vista de uma adaptação do cérebro a médio ou longo prazo nas próximas gerações, Dennett diz que as mais resistentes a esse vírus serão as que nascerem de pessoas que estão se preservando intencionalmente hoje. Ou evitando serem contaminadas pelo vírus, ou as que conseguirem tomar alguma vacina.

Notem que todas as soluções para esse problema social e biológico, que é a pandemia, apenas podem ser resolvidas também socialmente. Criação de remédios, relações sociais sem proximidade física e por aí vai. Podemos fazer uma questão social interessante... Quem tem acesso aos melhores tratamentos contra essa gripe: o pobre ou o rico?

O cérebro é socialmente formado e transformado. Ele organiza nossos pensamentos e nos propicia tanto a fazer Filosofia como a sentirmos as nossas emoções. Nos permite gostar de uma música, de um filme e de qualquer outro tipo de arte. Exatamente agora, possibilita que você entenda ou não entenda, concorde ou discorde dessas informações que está conhecendo

E você acha que o cérebro se modifica intencionalmente? Acha que ele sempre foi do jeito que é? Ou que suas transformações são somente físicas e sem nenhuma relação com o meio social e ambiental? Acha que se trata de um presente do céu?

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1Q1TvS1v8u64BLGMXxCkQgNt_elH5ocGh/view?usp=sharing

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...