Neurônio. Fonte: Brasil Escola/Uol
Assis,
14 de agosto de 2020.
Queridos
alunos.
Como
vocês estão? Tudo bem por aí? Embora muitas autoridades políticas, que não possuem
um conhecimento mínimo sobre saúde estejam se esforçando para a volta das aulas
presenciais, e com isso a matança mais generalizada ainda, creio que vamos
ficar afastados por mais um longo tempo. Pelo menos até que uma vacina seja
aplicada na grande maioria das pessoas. Enquanto isso, ficamos nos defendendo
tentando manter a distância mesmo.
Na
última carta, conversamos um pouquinho sobre pensamento. Vimos que, em nosso
corpo, o grande organizador daquilo que sentimos e pensamos é o cérebro. Foi colocado
que se trata de um órgão, socialmente construído e em constantes transformações,
afinal, interage diretamente com o meio social em que vive.
Gostaria
de propor para vocês, como orientação para nossa conversa de hoje, um estudo
introdutório sobre uma parte minúscula e importantíssima do cérebro: o neurônio.
Vamos falar sobre suas características físicas e suas funções para o trabalho cerebral.
O
neurônio só foi descoberto no ano de 1889, pelo pesquisador espanhol chamado
Santiago Ramón y Cajal. Esse médico serviu no exército espanhol em missões repressoras
à independência de Cuba na segunda metade do século XIX.
Por
ter contraído malária, foi liberado do serviço militar e dedicou-se ao estudo
do sistema nervoso. Utilizando uma técnica criada pelo italiano Camilo Golgi,
conseguiu provar que o sistema nervoso é formado por bilhões de células isoladas.
Essas células foram chamadas de neurônios. Elas se comunicam constantemente
entre si através de processos que classificou como sinapses.
As
descobertas de Cajal se transformaram em um ponto de partida para toda neurociência
moderna. Essa disciplina estuda o funcionamento de nosso sistema nervoso, e
como já debatemos, o cérebro é a região que controla todo essa parte do corpo
humano... para não dizer todo o corpo humano.
Com
o passar dos anos, novas pesquisas e, consequentemente, novas descobertas foram
acontecendo. É muito difícil precisar quantos neurônios tem um cérebro humano,
mas recentes pesquisas feitas por cientistas brasileiros, estimam que são aproximadamente
86 bilhões.
A
ciência compreendeu que os neurônios tem uma forma muito parecida com a de uma
pequena árvore. Imagine-os como um bonsai. Aquelas pequeninas árvores
desenvolvidas pelos japoneses muito usadas como enfeites naturais em casas.
As
informações chegam aos neurônios por meio de substancias químicas. Para simplificar,
vou chamá-las de neurotransmissores, mas existem outras. Um neurônio só pode reagir
de duas formas ao contato com um neurotransmissor. Ou fica agitado e dispara
mais impulsos elétricos; ou fica mais tranquilo e dispara menos impulsos elétricos.
Olha
que legal! Os neurônios transformam reações químicas em elétricas! Então,
quando estamos mais digamos assim nervosos, é por que nossas relações sociais
fizeram com que o cérebro produzisse mais neurotransmissores que agitam os
nossos neurônios. Quando nosso time toma um gol ou faz um gol, nossos neurônios
ficam mais agitados, ou para a alegria ou para a tristeza. Lembrem da alegria
de um gol decisivo que fez seu time campeão ou da desgraça que foi o 7 a 1 para
a Alemanha... enfim...
Os
neurônios recebem os neurotransmissores pela copa da árvore. O nome científico
dela é dendrito. Depois que ele os transforma em impulso elétrico, essa carga é
transmitida pela caule da árvore, chamada de axônio. Alguns neurônios tem uma proteção
para esse caule, como os fios elétricos são protegidos por pequenas borrachas,
esse isolamento é batizado como bainha de mielina.
A
bainha de mielina, constituída por 80% de gordura, tem como base os ácidos
graxos ômega 3. Por isso, muitos médicos pedem pra gente comer mais peixes e
alguns grãos, pois eles são ricos em ácidos graxos ômega 3. Quando vemos a foto
de um cérebro, notamos que ele tem partes brancas e partes cinzentas. As partes
brancas são formadas por neurônios que tem bainha de mielina, pois como podemos
perceber no torresmo do porco, toda gordura é branca. As cinzentas são de neurônios
que não tem ou não precisam de bainha de mielina.
Os
impulsos elétricos são levados até a raiz da arvore, que os cientistas chamam
de botões terminais. Ali são criados mais neurotransmissores e enviados a
outros neurônios que repetem o mesmo processo. Tudo isso em fração de menos de
um segundo!
Assim,
o que faz uma pessoa ficar nervosa ou calma é a sua relação com o seu meio
social e outras pessoas. O cérebro, como um órgão maravilhoso em termos de
universo, interage com aquilo que a pessoa vive. Uma das primeiras preocupações
dos filósofos, que permanece sempre em debate na Filosofia, é o conhecimento de
si mesmo.
Vamos
lembrar novamente do Sócrates. Conhecer a nós mesmos passa pelo entendimento
das nossas vivências, dos nossos desejos, dos nossos medos, das nossas
possibilidades e dos nossos limites. Entender onde estamos, a nossa classe
social e os nossos objetivos são fundamentais para o autoconhecimento. Como também
não podemos deixar de lado a compreensão da fabulosa máquina humana chamada
cérebro.
Queria
apenas deixar duas questões, para pensarmos juntos, que resumem um pouco esses
temas gigantescos para a humanidade. Como melhorar nossas relações sociais para
que nosso cérebro se desenvolva bem nesse ambiente bastante atribulado? Vocês teriam
algumas sugestões ou outras questões a fazerem?
Saudações
filosóficas.
Prof.
Ulisses.
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1NUnfng9oSBLUTYosn6oP5fvg9nIYtNEG/view?usp=sharing

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