sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Assis, 14 de agosto de 2020.

 

                                  Neurônio. Fonte: Brasil Escola/Uol


Assis, 14 de agosto de 2020.

Queridos alunos.

Como vocês estão? Tudo bem por aí? Embora muitas autoridades políticas, que não possuem um conhecimento mínimo sobre saúde estejam se esforçando para a volta das aulas presenciais, e com isso a matança mais generalizada ainda, creio que vamos ficar afastados por mais um longo tempo. Pelo menos até que uma vacina seja aplicada na grande maioria das pessoas. Enquanto isso, ficamos nos defendendo tentando manter a distância mesmo.

Na última carta, conversamos um pouquinho sobre pensamento. Vimos que, em nosso corpo, o grande organizador daquilo que sentimos e pensamos é o cérebro. Foi colocado que se trata de um órgão, socialmente construído e em constantes transformações, afinal, interage diretamente com o meio social em que vive.

Gostaria de propor para vocês, como orientação para nossa conversa de hoje, um estudo introdutório sobre uma parte minúscula e importantíssima do cérebro: o neurônio. Vamos falar sobre suas características físicas e suas funções para o trabalho cerebral.

O neurônio só foi descoberto no ano de 1889, pelo pesquisador espanhol chamado Santiago Ramón y Cajal. Esse médico serviu no exército espanhol em missões repressoras à independência de Cuba na segunda metade do século XIX.

Por ter contraído malária, foi liberado do serviço militar e dedicou-se ao estudo do sistema nervoso. Utilizando uma técnica criada pelo italiano Camilo Golgi, conseguiu provar que o sistema nervoso é formado por bilhões de células isoladas. Essas células foram chamadas de neurônios. Elas se comunicam constantemente entre si através de processos que classificou como sinapses.

As descobertas de Cajal se transformaram em um ponto de partida para toda neurociência moderna. Essa disciplina estuda o funcionamento de nosso sistema nervoso, e como já debatemos, o cérebro é a região que controla todo essa parte do corpo humano... para não dizer todo o corpo humano.

Com o passar dos anos, novas pesquisas e, consequentemente, novas descobertas foram acontecendo. É muito difícil precisar quantos neurônios tem um cérebro humano, mas recentes pesquisas feitas por cientistas brasileiros, estimam que são aproximadamente 86 bilhões.

A ciência compreendeu que os neurônios tem uma forma muito parecida com a de uma pequena árvore. Imagine-os como um bonsai. Aquelas pequeninas árvores desenvolvidas pelos japoneses muito usadas como enfeites naturais em casas.

As informações chegam aos neurônios por meio de substancias químicas. Para simplificar, vou chamá-las de neurotransmissores, mas existem outras. Um neurônio só pode reagir de duas formas ao contato com um neurotransmissor. Ou fica agitado e dispara mais impulsos elétricos; ou fica mais tranquilo e dispara menos impulsos elétricos.

Olha que legal! Os neurônios transformam reações químicas em elétricas! Então, quando estamos mais digamos assim nervosos, é por que nossas relações sociais fizeram com que o cérebro produzisse mais neurotransmissores que agitam os nossos neurônios. Quando nosso time toma um gol ou faz um gol, nossos neurônios ficam mais agitados, ou para a alegria ou para a tristeza. Lembrem da alegria de um gol decisivo que fez seu time campeão ou da desgraça que foi o 7 a 1 para a Alemanha... enfim...

Os neurônios recebem os neurotransmissores pela copa da árvore. O nome científico dela é dendrito. Depois que ele os transforma em impulso elétrico, essa carga é transmitida pela caule da árvore, chamada de axônio. Alguns neurônios tem uma proteção para esse caule, como os fios elétricos são protegidos por pequenas borrachas, esse isolamento é batizado como bainha de mielina.

A bainha de mielina, constituída por 80% de gordura, tem como base os ácidos graxos ômega 3. Por isso, muitos médicos pedem pra gente comer mais peixes e alguns grãos, pois eles são ricos em ácidos graxos ômega 3. Quando vemos a foto de um cérebro, notamos que ele tem partes brancas e partes cinzentas. As partes brancas são formadas por neurônios que tem bainha de mielina, pois como podemos perceber no torresmo do porco, toda gordura é branca. As cinzentas são de neurônios que não tem ou não precisam de bainha de mielina.

Os impulsos elétricos são levados até a raiz da arvore, que os cientistas chamam de botões terminais. Ali são criados mais neurotransmissores e enviados a outros neurônios que repetem o mesmo processo. Tudo isso em fração de menos de um segundo!

Assim, o que faz uma pessoa ficar nervosa ou calma é a sua relação com o seu meio social e outras pessoas. O cérebro, como um órgão maravilhoso em termos de universo, interage com aquilo que a pessoa vive. Uma das primeiras preocupações dos filósofos, que permanece sempre em debate na Filosofia, é o conhecimento de si mesmo.

Vamos lembrar novamente do Sócrates. Conhecer a nós mesmos passa pelo entendimento das nossas vivências, dos nossos desejos, dos nossos medos, das nossas possibilidades e dos nossos limites. Entender onde estamos, a nossa classe social e os nossos objetivos são fundamentais para o autoconhecimento. Como também não podemos deixar de lado a compreensão da fabulosa máquina humana chamada cérebro.

Queria apenas deixar duas questões, para pensarmos juntos, que resumem um pouco esses temas gigantescos para a humanidade. Como melhorar nossas relações sociais para que nosso cérebro se desenvolva bem nesse ambiente bastante atribulado? Vocês teriam algumas sugestões ou outras questões a fazerem?

 

Saudações filosóficas.

 

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1NUnfng9oSBLUTYosn6oP5fvg9nIYtNEG/view?usp=sharing

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