Retrato de Nicolau Maquiavel. Autor: Santi di Tito (1536 - 1603) Fonte: Wikipédia.
Assis,
09 de outubro de 2020
Queridos
alunos.
Olá! Tudo bem?
Gostaria
de conversar com vocês hoje sobre um filósofo muito famoso, ou melhor, um
filósofo cuja fama vai além de seu pensamento. Já ouviram falar na palavra
“maquiavélico”? O que ela significa? Uma pessoa maquiavélica seria alguém que
executa friamente um plano, desde que alcance seus objetivos, não se importando
com os outros?
Por
enquanto, vamos compreender que maquiavélico é uma referência ao filósofo
Nicolau Maquiavel. Ele ficou mundialmente conhecido por escrever sobre
política, e em tempos de eleições, é sempre bom lembrar os pensamentos de
pensadores que influenciam diretamente os candidatos e os políticos já
ocupantes de cargos públicos.
Seu
livro que ao longo dos séculos foi se consolidando como grande clássico da
política chama-se “O Príncipe”. Nele o filósofo descreve algumas práticas, que
haviam sido executadas por grandes líderes da antiguidade, e que inspiraram
muitos outros até nossos dias. Inclusive, há uma versão muito divulgada do
livro comentada pelo próprio Napoleão Bonaparte.
Muito
se especulou sobre as motivações que fizeram com que Maquiavel escrevesse essa
obra. Há quem diga que se trata de um pedido de emprego para cargo público na
cidade de Florença. O filósofo Jean-Jacques Rousseau já entende que o livro é
uma grande ironia sobre os mandos e desmandos dos grandes políticos a respeito da
população trabalhadora e pobre. Independentemente de qualquer uma dessas
interpretações, foi “O Príncipe” que tornou Maquiavel conhecido da maioria das
pessoas
Vou
destacar aqui para vocês apenas alguns aspectos. Na leitura desse livro
encontramos vários outros, aliás, leitura muito mais do que recomendada. Maquiavel
se coloca com um grande comentarista político do seu tempo, que é a passagem do
século XV ao XVI, e ouso dizer que foi o primeiro filósofo a escrever sobre o
seu tempo presente.
O
que chama a atenção em Maquiavel é que o príncipe é proposto como uma posição
política de maior poder sobre o que entendemos atualmente como país (hoje seriam
os presidentes das nações). Ele deve fazer de tudo para manter o seu poder.
Enganar, manipular, uso de violência física, enfim, todo tipo de conduta desde
que seu objetivo seja manter-se no poder político.
Disso
temos como consequência ser o Maquiavel o primeiro pensador que fez uma
separação sobre ética e política. Não foi Maquiavel quem inventou na prática
essa separação, pois usa de muitos exemplos históricos de políticos, reis,
imperadores, ditadores e príncipes que para se manterem no poder não usavam
nenhum tipo de ética, ou seja, respeito à integridade e dignidade humana. Contudo,
no campo da análise política feita por um especialista, ele foi sim o primeiro
a recomendar que, para não se perder o poder político, vale tudo.
Essa
é uma característica básica de um pensamento elitista e conservador: garantir o
poder sem nenhum escrúpulo ético. No entanto, Maquiavel também recomenda que é
bom satisfazer as necessidades básicas do povo, não pelo bem do povo, mas
porque um líder político que não tem apoio popular e é odiado pelos seus
governados acaba perdendo o poder. Dessa forma, tudo gira em torno de
permanecer no comando e não no bem comum.
Meus
queridos, não estou questionando essa orientação central que os governantes
possuem de quererem se manter no poder político a qualquer custo. Esse é um
aspecto íntimo de qualquer governo sobre a população. O que podemos questionar
é que apenas algumas pessoas, ou uma classe social de parasitas que nunca
trabalharam e nem se preocuparam com os trabalhadores, façam isso.
No
final do ano de 2002, Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil de
trágica lembrança, ao terminar seu segundo mandato, disse que iria ficar por
algum tempo longe da vida pública e reler “O Príncipe” de Maquiavel. Diante dessas
poucas ideias ditas sobre Maquiavel é muito compreensível essa disposição do ex-presidente.
Na
época, eu acreditava que ele estava em condições até de superar o maquiavelismo
do livro, não no sentido de ficar eternamente no poder, mas no das artimanhas
contra a população. Essa suspeita minha se confirmou no ano de 2010, quando
escreveu um texto de introdução para a leitura de uma edição de “O Príncipe” em
Língua Portuguesa.
O
que vocês pensam sobre o maquiavelismo? Afinal, o que é ser maquiavélico? Indiferença
fria em relação aos outros? Estratégia para a manutenção do poder político pelo
maior tempo possível? As duas coisas? Ou há outras maneiras que queiram
descrever sobre o ser “maquiavélico”?
Saudações
filosóficas (e maquiavélicas)
Prof.
Ulisses.
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1H61R4jYoAgeUTFGq2nZwV9_XZuCnkos1/view?usp=sharing

Nenhum comentário:
Postar um comentário