Título: Platão no céu (2021). Autor: Gabriel Serodio
Assis, 6 de junho de 2021.
Queridos
alunos.
Olá!
Como estamos? Sigam as orientações de saúde coletiva. Apenas voltem para as
atividades escolares depois que estiverem todos vacinados. Em caso de
precisarem de algum auxílio que a escola possa ajudar, peçam para que algum
responsável, ou vocês mesmos, se comuniquem com os gestores por meio da
internet ou por telefone.
Por
enquanto, o que temos a fazer é manter o máximo de distanciamento presencial
possível. Em tempos de contágio viral de dimensão planetária, as maiores provas
de amor não são abraços e proximidades, mas o distanciamento físico sem perder
o contato humano. A preocupação humanitária pode se realizar por uma mensagem,
áudio, vídeo, telefonema, enfim... Não relaxemos porque a situação é muito
grave.
O
interessante que podemos destacar aqui, sobretudo com isso de amores que devem
ser mantidos à distância, é o do famoso amor platônico. Vocês já ouviram essa
expressão?
Amor
platônico é aquele idealizado e não acontece na prática. Nessa situação, quem
está apaixonado concebe apenas nas suas próprias ideias a pessoa amada, faz
projetos de futuro e nem sequer se declara. Os motivos para não assumir são
vários, na maioria das vezes, passa pelo medo da rejeição e pela vergonha. Isso
é muito mais comum do que podemos imaginar.
A
origem desse conceito de amor, do ponto de vista filosófico, são os pensamentos
de um pensador chamado Platão (428/427 – 347 a.C.). Esse filósofo, que acredito
que muitos já ouviram falar alguma coisa, foi um dos mais conhecidos da Grécia
Antiga. Sua filosofia teve uma influência decisiva para a formação da cultura
Ocidental.
Seu
nome verdadeiro era Arístocles. Ganhou o apelido de Platão por ter os ombros
grandes e largos, ou seja, em virtude de sua estatura física. Platão era filho
da aristocracia escravocrata de Atenas. Desejava se formar como político para
poder melhor defender sua classe social.
Iniciou
seus estudos filosóficos com um pensador chamado Crátilo, mas aos vinte anos de
idade, passou a ser seguidor e discípulo de Sócrates. No ano de 403 a.C.,
quando a aristocracia retomou o poder político em Atenas, dois parentes seus
Cármides e Crítias conseguiram altos cargos nesse governo oligárquico. Nesse
período, Platão passou a exercer uma profunda influência política.
Alguns
anos mais tarde, os democratas retomaram o poder, e uma das medidas que fizeram
foi processar Sócrates (que já era professor de Platão), o que ocasionou a
condenação de morte de seu mestre. Depois desse acontecimento, Platão realizou
algumas viagens e se estabeleceu fora de Atenas, afinal, seus inimigos
democratas estavam no poder.
Nessas
viagens, Platão passou por diversas experiências marcantes, o que fez muita
diferença na sua forma de pensar. Quando esteve na Sicília, tentou fazer um
acordo com o governo local para poder implementar as suas ideias de governo. Em
uma reviravolta no jogo político foi vendido como escravo para um espartano.
Depois de uns amigos juntarem dinheiro acabou sendo resgatado e teve novamente
sua liberdade.
De
volta à cidade de Atenas, fundou a Academia em um ginásio que estava situado em
um local que rendia homenagens ao heroi Academos. Começou a ensinar seu
pensamento filosófico de maneira mais sistematizada para quem quisesse se
instruir em sua escola.
Sua
Teoria do Conhecimento, área da Filosofia que busca os fundamentos do
conhecimento verdadeiro, dividia a realidade em dois mundos. O mundo sensível
ou material e o mundo inteligível ou das ideias.
Para
Platão, o mundo sensível ou material, é esse que nós vivemos. Cheio de
imperfeições, de injustiças, em que tudo muda o tempo todo e por isso nada pode
ser conhecido. Ele é uma cópia imperfeita, feita por um artesão que nem sempre
está inspirado, do mundo inteligível ou das ideias.
Esse
mundo inteligível ou das ideias é uma realidade verdadeira e por isso superior.
Nossa alma, antes de nascer, teria visto as ideias perfeitas de justiça, de
bondade e de beleza. Nosso corpo, aqui no mundo material, seria uma prisão para
a alma por impedir ela de se libertar e conhecer as ideias verdadeiras.
Platão,
embora o mundo material seja imperfeito e desprezível, encontra uma maneira das
pessoas se libertarem da ignorância que por aqui predomina.
Através
do abandono dos prazeres carnais e do corpo, o filósofo consegue por meio da
reflexão e do método de Sócrates (dialético), se lembrar das ideias que sua
alma viu antes de seu corpo nascer e aprisioná-la. Platão chama isso de Teoria
da Reminiscência. A palavra reminiscência quer dizer, aproximadamente,
lembrança.
Agora
entendem a razão do amor platônico ser o amor idealizado? Aquele amor que a
pessoa apaixonada idealiza e não coloca em prática só é perfeito por não ter a
prática material. Não há o convívio, as relações e todas as coisas que a
relação material com o mundo nos possibilita.
As
coisas no papel ou na cabeça da gente são perfeitas. Dar o passo para a
realidade material é as vezes tão complicado que Platão, em sua filosofia, nem
recomenda que isso seja realizado. Por isso é difícil isolar-se do mundo em uma
pandemia, para que isso pudesse ser possível, era necessário que tivéssemos o
governo ideal que distribuísse um auxílio emergencial por mais de dois anos em
torno de R$ 3.000,00.
Como
não temos o governo ideal o mais perto do ideal possível é que as pessoas
assumam o governo do Estado e sejamos nós nosso próprio governo.
Na
próxima carta vou falar um pouquinho com vocês sobre o mito da caverna de
Platão, que ilustra essa concepção de mundo sensível e mundo inteligível, e
como a alma e a política são divididas pelo filósofo.
O
que acharam das viagens do Platão?
Saudações
filosóficas.
Prof.
Ulisses.
Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/12IHXFB1drX4Jo-CCptIwXRSWbI99qzKB/view?usp=sharing

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