Assis, 10 de maio de 2021.
Queridos
alunos.
Vocês
estão bem? Como vão as coisas? A luta pela sobrevivência é constante, e em
tempos de pandemia que se agrava cada dia mais, passa a ser uma grande vitória
minuto a minuto. Que estejamos sempre dispostos a exigir os nossos direitos
mínimos, no caso, o de uma vacinação em massa.
Hoje
nós vamos conversar um pouco sobre os sofistas. Esses filósofos, que começaram
a fazer os debates ainda lá na Antiguidade grega, eram professores. A tradição
sofista, de uma maneira geral, ensina a arte de argumentar de maneira
convincente. Tal ciência ficou mundialmente conhecida como retórica.
É
importante nós entendermos a retórica como uma grande contribuição que os
sofistas deixaram para a sociedade. O objetivo único da retórica é o
convencimento pelo discurso, que pode ser desde uma fala (pública ou para uma
pessoa) até um texto ou um filme, ou seja, o seu valor de verdade se coloca na
seguinte frase. A retórica verdadeira é aquela que te convence, a falsa, é
aquela que tenta te convencer, mas não convence.
Nos
dias atuais, é muito comum se observarmos bem, diversas profissões que precisam
de técnicas de retórica para se estabelecerem. Os vendedores, os advogados, os juízes,
os professores, os publicitários e até mesmo a indústria cultural usam técnicas
de convencimento para fazer com que as pessoas acreditem e comprem o que estão
falando.
Imaginem
qualquer uma das profissões que citei no parágrafo anterior. Se esses
profissionais não souberem argumentar, por via de uma fala, de uma apresentação
e até mesmo na forma de se vestirem; não conseguirão exercer sua atividade com
qualidade.
Ninguém
quer ver um professor, um advogado, um promotor, o Gusttavo Lima ou a Anitta,
falando mal ou vestido fora da moda. Dependendo da profissão, estrategicamente,
estar pouco vestido ou seminu é um poderoso e sedutor argumento de retórica.
Na
Antiguidade, os sofistas, foram considerados os primeiros professores e
filósofos que ensinavam a retórica. Andavam entre as cidades-estados situadas
na Grécia Antiga para ensinar os filhos dos ricos a arte de bem argumentar,
pois eram esses que tinham dinheiro para pagarem suas aulas.
Entre
os séculos VI e V a.C., os sofistas exerciam suas atividades educativas com
grande intensidade. As condições históricas que possibilitaram esse auge dos
sofistas se demonstram na forma política que a maioria das cidades-estados
apresentavam.
Todos
os cidadãos tinham direito à voz, ou seja, podiam escolher sobre os destinos da
cidade. Desde resolver um problema comercial e até votarem sobre novas leis.
Decidiam se o Exército local iria ou não para uma guerra. Parece uma democracia
perfeita, né?
Contudo
não era bem assim, quem tinha cidadania eram apenas os homens, livres e
proprietários de terra. Assim, as mulheres, as crianças e os escravos não eram
nem considerados cidadãos, mas propriedade de algum cidadão. As mulheres eram
propriedade do pai ou do marido, na falta de um dos dois, do irmão mais ou tio
mais velho. Os escravos propriedade dos senhores de terra. As crianças propriedades
dos pais, no caso, do pai homem (em grego, patéras). Daí, a palavra
paternalismo.
Dessa
forma, apenas os filhos homens dos grandes ricos e proprietários de terras eram
educados pelos filósofos sofistas. Aprendiam a retórica, como uma habilidade de
defender publicamente seus interesses, e exercer a divina democracia entre os
iguais.
Assim,
a retórica era um exercício de se ter habilidade de convencer pelo discurso, o
que na prática se resumia em expor um argumento com a finalidade prática
(pragmática) de fazer ouvir e impor sua vontade aos outros. Protágoras de
Abdera, grande sofista da Antiguidade, sintetizou esse pensamento em um
princípio chamado Homo Mensura – o homem é a medida de todas as coisas.
Para
Protágoras só é válido o pensamento que expressa a vontade do homem que o expõe
de modo convincente. Esse homem é bem definido. Ele é do sexo masculino, é rico
e é livre. Portanto, esse ser que é a medida de todas as coisas têm sua raiz
econômica e social.
Górgias
de Leontini, outro sofista famoso da Antiguidade, elaborou uma série de
argumentos que tentam justificar a necessidade da retórica. Ele pensa da
seguinte maneira. A verdade não existe, se existisse não poderia ser
conhecida, se fosse conhecida não poderia ser comunicada. Dessa maneira,
acaba justificando a necessidade da retórica e dos sofistas para ensiná-la,
afinal, se não podemos conhecer a verdade o que prevalece é um acordo entre as
pessoas.
Para
concluir, vimos que a retórica é importante na sociedade tanto antiga como atual
e que os filósofos sofistas eram professores de retórica. Ela foi importante
para a consolidação da democracia grega, por ensinar a arte da argumentação
para uma elite agrária. Os filósofos sofistas, como Protágoras e Górgias,
acreditavam no poder dos acordos entre os homens por meio da argumentação. Afinal,
viviam do ensino da retórica e, por isso, não acreditavam na verdade absoluta.
E
vocês o que pensam? É importante saber argumentar? Conseguem imaginar mais
profissões que usam a retórica na atualidade?
Saudações
filosóficas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário