segunda-feira, 10 de maio de 2021

Assis, 10 de maio de 2021


                               Título: Os sofistas (2021). Autor: Gabriel Serodio.

                 




 Assis, 10 de maio de 2021.

Queridos alunos.


        Vocês estão bem? Como vão as coisas? A luta pela sobrevivência é constante, e em tempos de pandemia que se agrava cada dia mais, passa a ser uma grande vitória minuto a minuto. Que estejamos sempre dispostos a exigir os nossos direitos mínimos, no caso, o de uma vacinação em massa.

Hoje nós vamos conversar um pouco sobre os sofistas. Esses filósofos, que começaram a fazer os debates ainda lá na Antiguidade grega, eram professores. A tradição sofista, de uma maneira geral, ensina a arte de argumentar de maneira convincente. Tal ciência ficou mundialmente conhecida como retórica.

É importante nós entendermos a retórica como uma grande contribuição que os sofistas deixaram para a sociedade. O objetivo único da retórica é o convencimento pelo discurso, que pode ser desde uma fala (pública ou para uma pessoa) até um texto ou um filme, ou seja, o seu valor de verdade se coloca na seguinte frase. A retórica verdadeira é aquela que te convence, a falsa, é aquela que tenta te convencer, mas não convence.

Nos dias atuais, é muito comum se observarmos bem, diversas profissões que precisam de técnicas de retórica para se estabelecerem. Os vendedores, os advogados, os juízes, os professores, os publicitários e até mesmo a indústria cultural usam técnicas de convencimento para fazer com que as pessoas acreditem e comprem o que estão falando.

Imaginem qualquer uma das profissões que citei no parágrafo anterior. Se esses profissionais não souberem argumentar, por via de uma fala, de uma apresentação e até mesmo na forma de se vestirem; não conseguirão exercer sua atividade com qualidade.

Ninguém quer ver um professor, um advogado, um promotor, o Gusttavo Lima ou a Anitta, falando mal ou vestido fora da moda. Dependendo da profissão, estrategicamente, estar pouco vestido ou seminu é um poderoso e sedutor argumento de retórica.  

Na Antiguidade, os sofistas, foram considerados os primeiros professores e filósofos que ensinavam a retórica. Andavam entre as cidades-estados situadas na Grécia Antiga para ensinar os filhos dos ricos a arte de bem argumentar, pois eram esses que tinham dinheiro para pagarem suas aulas.

Entre os séculos VI e V a.C., os sofistas exerciam suas atividades educativas com grande intensidade. As condições históricas que possibilitaram esse auge dos sofistas se demonstram na forma política que a maioria das cidades-estados apresentavam.

Todos os cidadãos tinham direito à voz, ou seja, podiam escolher sobre os destinos da cidade. Desde resolver um problema comercial e até votarem sobre novas leis. Decidiam se o Exército local iria ou não para uma guerra. Parece uma democracia perfeita, né?

Contudo não era bem assim, quem tinha cidadania eram apenas os homens, livres e proprietários de terra. Assim, as mulheres, as crianças e os escravos não eram nem considerados cidadãos, mas propriedade de algum cidadão. As mulheres eram propriedade do pai ou do marido, na falta de um dos dois, do irmão mais ou tio mais velho. Os escravos propriedade dos senhores de terra. As crianças propriedades dos pais, no caso, do pai homem (em grego, patéras). Daí, a palavra paternalismo.

Dessa forma, apenas os filhos homens dos grandes ricos e proprietários de terras eram educados pelos filósofos sofistas. Aprendiam a retórica, como uma habilidade de defender publicamente seus interesses, e exercer a divina democracia entre os iguais.

Assim, a retórica era um exercício de se ter habilidade de convencer pelo discurso, o que na prática se resumia em expor um argumento com a finalidade prática (pragmática) de fazer ouvir e impor sua vontade aos outros. Protágoras de Abdera, grande sofista da Antiguidade, sintetizou esse pensamento em um princípio chamado Homo Mensura – o homem é a medida de todas as coisas.

Para Protágoras só é válido o pensamento que expressa a vontade do homem que o expõe de modo convincente. Esse homem é bem definido. Ele é do sexo masculino, é rico e é livre. Portanto, esse ser que é a medida de todas as coisas têm sua raiz econômica e social.

Górgias de Leontini, outro sofista famoso da Antiguidade, elaborou uma série de argumentos que tentam justificar a necessidade da retórica. Ele pensa da seguinte maneira. A verdade não existe, se existisse não poderia ser conhecida, se fosse conhecida não poderia ser comunicada. Dessa maneira, acaba justificando a necessidade da retórica e dos sofistas para ensiná-la, afinal, se não podemos conhecer a verdade o que prevalece é um acordo entre as pessoas.

Para concluir, vimos que a retórica é importante na sociedade tanto antiga como atual e que os filósofos sofistas eram professores de retórica. Ela foi importante para a consolidação da democracia grega, por ensinar a arte da argumentação para uma elite agrária. Os filósofos sofistas, como Protágoras e Górgias, acreditavam no poder dos acordos entre os homens por meio da argumentação. Afinal, viviam do ensino da retórica e, por isso, não acreditavam na verdade absoluta.

E vocês o que pensam? É importante saber argumentar? Conseguem imaginar mais profissões que usam a retórica na atualidade?

 

Saudações filosóficas.

Prof. Ulisses.     


Áudio disponível em:
https://drive.google.com/file/d/1eF5YYnkhTHb1fmAqmoMdUFOZp73iASNZ/view?usp=sharing

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Assis, 16 de junho de 2021.

                                      Título: Mito da Caverna (2021). Autor: Gabriel Serodio Assis, 16 de junho de 2021. Queridos alunos, Vo...