domingo, 11 de abril de 2021

Assis, 11 de abril de 2021.


                               Título: Tales de Mileto (2021) Autor: Gabriel Serodio


Assis, 11 de abril de 2021.

Queridos alunos.

Tudo bem com vocês? Como passaram a última semana? Muitos trabalhos de final de bimestre? Se escondendo, na medida do possível, do vírus? Espero que estejam todos muito bem e ligados para os desafios que a sociedade anda nos massacrando por demais.

No ano de 2021, até a semana passada, estava me comunicando através de um canal de vídeos pela plataforma do YouTube. A partir dessa semana, pelo menos nos próximos períodos, retornaremos ao texto do blog e ao áudio.

Tomei essa decisão pelo seguinte motivo. Estou encontrando muitas dificuldades para gravar vídeos com a qualidade que é mínima para a divulgação. Não tenho, ainda, o domínio tecnológico para produzir conteúdo com qualidade técnica.

Estou me empenhando em cursos e estudos para poder gravar bons vídeos. Enquanto eles não estiverem concluídos prosseguiremos por aqui mesmo. Peço paciência e desculpas para vocês. E... vamos ao conteúdo!

Na semana passada, falamos sobre a importância de se ter tempo livre para a atividade científica e filosófica. Ele é fundamental, porque além de propiciar descanso, faz com que as pessoas tenham disposição para estudar. Vimos que o tempo livre, desde a Grécia Antiga, é um privilégio de classe, ou seja, os ricos têm tempo livre pra descansar e filosofar enquanto os pobres são materialmente forçados ao trabalho.

Hoje nós vamos ver sobre os Filósofos e a Filosofia pré-socrática. Esses pensadores, de uma maneira geral, estudam a natureza, em grego physis. Buscam a explicação dos fenômenos naturais como as chuvas, as secas, a ordem cosmos do universo em fundamentos naturais e argumentativos. Esses fundamentos, princípios, eles chamavam de arché.

Faço questão de citar os termos em grego, pois quando vocês forem avaliados em provas de concursos ou vestibulares, para os confundirem os organizadores desses exames usam as palavras em grego. Um perfeito método de exclusão.

Então, se atentem para isso, toda Filosofia pré-socrática foi produzida antes do Sócrates? N – A – O NÃO! Eles estudam a natureza physis. A medicina; a biologia; a química e outras disciplinas também estudam a natureza, portanto são ciências e seus cientistas também são pré-socráticos. Que fique bem determinado, a Filosofia pré-socrática é todo ramo do saber que estuda a natureza.

Os filósofos pré-socráticos da Antiguidade, de uma maneira geral, buscavam o princípio arché que seria o criador da ordem cosmos do universo. Justificavam esses princípios por meio da argumentação e da palavra logos ou pelas demonstrações concretas e materiais.

Tales de Mileto, o primeiro filósofo, matemático e astrônomo da Antiguidade na cultura grega, dizia que esse princípio arché era a água. Fundamentava esse pensamento afirmando que ela é presente no que é vivo e ausente no que é morto, pois tudo o que morre desidrata. Foi o primeiro astrônomo a prever um eclipse do sol. Suas observações têm um índice de acerto tão alto que foram confirmadas pela ciência atual, afinal, os biólogos atualmente afirmam que a condição básica da vida como conhecemos é a água. O que os químicos chamam de Hidrogênio e Oxigênio.

Anaximandro de Mileto, discípulo de Tales e notoriamente radicado na mesma cidade (Mileto), já dizia que o princípio arché é o ápeiron (infinito). Para ele a ordem cosmos do universo se dá por uma combinação de forças contrárias (quente e frio; seco e úmido). Tudo o que acaba volta para esse infinito.

Heráclito de Éfeso, por sua vez, afirma que o princípio arché é o fogo e a mudança. Para ele, uma pessoa não passa duas vezes no mesmo rio, pois quando ela tenta passar pela segunda vez nem o rio e nem ela mesma seriam mais os mesmos. A guerra é a mãe e a rainha de todas as coisas. A realidade e as pessoas apenas melhoram por meio de confrontos e polêmicas, pois elas geram a mistura e a síntese de ideias antigas formando novas práticas e pensamentos.

Jean-Pierre Vernant, grande historiador que estudou a Antiguidade grega, afirmou que as condições políticas e sociais que produziram a Filosofia pré-socrática foram a mudança da centralização da economia política dos reinos e castelos para o poder dos agricultores e comerciantes. Daí o mito não passou a forma única de se olhar para os fenômenos naturais, mas também a razão e a demonstração.

E vocês preferem a razão ou o mito? A ciência ou a fé? A fé na ciência ou a ciência na fé? Ou as duas coisas?

 

Saudações filosóficas.

 

Prof. Ulisses.


Áudio disponível em:

https://drive.google.com/file/d/1PEEiT2U7IqCPYEuqdYFlr-wuUQoDC0Kv/view?usp=sharing

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